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sábado, 8 de agosto de 2026
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Guerra de facções incendeia três casas e expulsa 18 pessoas na região da aldeia do Caucho

Na semana do Dia do Índio – cujo ápice foi celebrado ontem, 19 –, o terror ecoa na região do Seringal do Caucho, onde está a reserva indígena kaxinawá de mesmo nome, no município de Tarauacá (distante 440 quilômetros de Rio Branco). Ali, pelo menos três residências foram incendiadas e 18 pessoas de uma mesma família, expulsas da região numa disputa entre indivíduos do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com informações do radialista Raimundo Accioly, tendo como fonte o delegado de Polícia Civil de Tarauacá, Valdinei Soares, a situação se agravou depois que o desempregado José Ordônio, morador da região, autodeclarado membro do PCC, teria sido cooptado por membros do CV em Tarauacá a mudar de lado, filiando-se ao Comando Vermelho.

“Ordônio teria se recusado e até feitos alguns disparos de arma de fogo na aldeia do Caucho, depois disso”, afirmou Soares à rádio Difusora de Tarauacá. Essa situação agravou a situação, que já era de tensão, segundo a polícia, causando a invasão de pelo menos 25 homens suspostamente membros do CV na propriedade rural da família de Ordônio, na região do Seringal Transual, localizado próximo da aldeia kaxinawá do Caucho.  

“Ali, eles buscavam José Ordônio, mas só encontraram integrantes da família dele. Foi quando atearam fogo em três casas e expulsaram as pessoas. Imediatamente acionamos nossos policiais civis e a Polícia Militar para irem até o local”, explica o delegado Valdinei Soares. 

Sequestro e busca por integrante do PCC  

As ações policiais na região tiveram início depois que a mãe e a esposa de Ordônio, cujos nomes não foram divulgados, registraram queixa-crime na Delegacia Geral de Polícia Civil de Tarauacá. Na ocasião, o delegado chegou a recomendar que por segurança, elas não retornassem ao local dos conflitos. Mas voltaram. Diante desta situação, a mãe de José Ordônio foi sequestrada por indígenas do CV da Aldeia do Caucho, numa tentativa de forçar a mulher a entregar o paradeiro do filho. 

Sem sucesso, ela foi liberada e se refugiou com os familiares – pelo menos 18 pessoas – dentro de uma escola do Seringal Transual. Já no último sábado, dia 18, eles foram resgatados pelos policiais civis e militares enviados para a região. 

A polícia prendeu 4 indivíduos, dois deles indígenas, também envolvidos nos ataques às famílias. Eles não tiveram o nome revelados, foram levados para audiência de custódia no Fórum de Tarauacá e tiveram a prisão decretada pela Justiça, estando já recolhidos no presídio do município.

Ainda nesta semana, dois micro-ônibus do governo do Estado do Acre trouxeram a Rio Branco as 18 pessoas obrigadas a deixar a região à força, incluindo a mãe de José Ordônio, que segue foragido.