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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Grupo Fictor pede recuperação judicial após crise de liquidez ligada ao caso Banco Master

O Grupo Fictor protocolou neste domingo (1º) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo, envolvendo as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. O passivo declarado chega a R$ 4 bilhões, valor que o conglomerado atribui diretamente ao impacto reputacional causado pela crise do Banco Master, instituição que tentou adquirir em novembro de 2025.

Em nota, o grupo afirma que a liquidação extrajudicial do Master, decretada pelo Banco Central um dia após o anúncio da compra, provocou uma onda de especulações e notícias negativas, afetando de forma severa a confiança do mercado e a liquidez das empresas.

“Com a decretação da liquidação da instituição pelo Banco Central, a reputação do grupo foi atingida por especulações, o que gerou forte impacto na liquidez da Fictor Holding e da Fictor Invest”, destacou o comunicado.

A tentativa de aquisição do Banco Master colocou a Fictor no centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes. O controlador do Master, Daniel Vorcaro, encontra-se em prisão domiciliar, sob investigação por suspeitas de fraudes financeiras.

A recuperação judicial é um instrumento previsto em lei que permite às empresas suspender temporariamente cobranças e execuções, enquanto negociam suas dívidas com credores sob supervisão do Judiciário. No pedido, o consórcio liderado pela Fictor solicita a suspensão de bloqueios por 180 dias, informando que pretende renegociar apenas os prazos, e não o valor total do débito.

Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua nos setores de alimentos, serviços financeiros e infraestrutura, sendo controlado pelos sócios Rafael Góis, Rafael Paixão e Phillippe Rubini. A holding financeira do grupo também mantém um contrato de patrocínio com a base do Palmeiras, estimado em R$ 25 milhões por ano.

A proposta apresentada em 2025 previa a compra de 100% das ações do Banco Master, com aporte imediato de cerca de R$ 3 bilhões, além de mudanças na gestão e até a alteração do nome da instituição para Banco Fictor — plano interrompido pela intervenção do Banco Central.

Além disso, o grupo passou a enfrentar ações judiciais movidas por investidores que alegam atraso no resgate de valores aplicados. Na semana passada, o TJ-SP determinou o bloqueio de R$ 150 milhões da holding financeira para garantir o cumprimento de contratos da Fictor Pay.