Dados da Secretaria de Meio Ambiente do Acre (Sema) mostram que mais de 2,8 mil focos de queimadas já foram registrados até o mês de agosto. No ranking dos estados da Amazônia Legal, o estado acreano aparece em oitavo lugar no acumulado de focos, no período de avaliação, com 2.872 mil focos, com um total de 5% no balanço. Todos os dados usados no boletim são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Diante do cenário, o Ministério da Economia liberou R$ 38,5 milhões ao Ministério da Defesa para combate a incêndios em sete, dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, entre eles o Acre.
O valor havia sido contingenciado do montante voltado para Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) que tinham orçamento aprovado de R$ R$ 47,5 milhões. Desse total, cerca de R$ 7,1 milhões já estava sendo utilizado.
Além do valor, o governo federal autorizou o emprego das Forças Armadas no combate aos incêndios florestais no Acre, Mato Grosso e Amazonas, por meio de decreto publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Mais de 43 mil integrantes da Marinha, Exército e Aeronáutica estão nos estados. Eles devem atuar coordenados por órgãos de controle ambiental e de segurança pública.
Feijó é o município que mais queima no Acre, segundo o relatório, feito com base nos dados do INPE, em 25 dias, foram 576 focos. Em seguida vem Tarauacá, com 377, Manuel Urbano com 231 e Rio Branco, com 200.
Rio Branco conta com cerca de 120 homens nos três batalhões do Corpo de Bombeiro para atender a demanda na capital.
De acordo com o Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) houve um aumento de 50% em casos de queima em agosto em relação ao mesmo período do ano passado no estado.
Em todo Acre, em 2019, foram registrados mais de 2.533 mil focos de queimadas. Ano passado até o mesmo período foram registrados pouco mais de 2. 100 casos.
Outro balanço divulgado pela Sema revelou que a Reserva Extrativista Chico Mendes e do Alto Juruá lideram quando o assunto é queimada, com 99 e 48 registros, respectivamente.
Final de semana
O fim de semana em Rio Branco foi marcado por muita fumaça e muito incêndio. Dados do Corpo de Bombeiros apontam que foram registrados, entre sexta-feira, 23, e domingo, 25, foram registrados 220 queimadas urbanas somente na Capital.
Estado de Emergência
Considerando a escassez de chuvas que se estende desde o primeiro semestre e que tende a permanecer por mais três meses, com severa diminuição do nível dos rios e da umidade relativa do ar, o governador Gladson Cameli (Progressistas), decretou Situação de Emergência no Acre na última sexta-feira, 23.
Protesto
Com cartazes, faixas e máscaras, ativistas foram às ruas e avenidas de Rio Branco neste domingo, 25, em protesto contra as queimadas que devastam a Amazônia. O ato reuniu manifestantes no centro de Rio Branco e depois na ponte Juscelino Kubitschek.
O principal alvo dos manifestantes foi o presidente Jair Bolsonaro. Os ativistas gritaram palavras de ordem contra o presidente e manifestaram em seus cartazes o descontentamento pela falta de uma política ambiental a favor da Amazônia brasileira.
A concentração saiu na Praça Povos da Floresta, onde tem uma estátua do ativista e ambientalista Chico Mendes. O ato foi batizado de Empate pela Amazônia. Empates foram atuações, caminhadas e ações dos trabalhadores rurais do Acre contra o desmatamento da floresta na década de 80.
Previsão é de chuvas para esta semana
De acordo com o pesquisador meteorológico, Davi Friale, as chuvas fortes ocorreram no Acre no último domingo e ao amanhecer desta segunda-feira, 26, foram causadas pela chegada de uma massa de ar quente e úmido do oceano Atlântico, a formação de um centro de baixa pressão atmosférica em Rondônia e a aproximação de uma fraca frente fria.
Durante esta semana, até o próximo domingo, 1°, o calor abafado e as chuvas vão continuar, com alta probabilidade de ocorrência de temporais, com chuvas fortes, raios e ventanias, em vários pontos do Acre, Rondônia, Amazonas, oeste, noroeste e norte de Mato Grosso, planícies da Bolívia e região de selva do Peru.
Essas chuvas, no entanto, não serão diárias num mesmo lugar, mas ocorrerão de forma pontual na maior parte da região.





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