Goleiros tipo exportação

Francisco Dandão

A vacinação contra o vírus maldito continua em passos de tartaruga no chamado país do futuro. A impressão que eu tenho é a de que alguém não quer saber disso. Aliás, não creio que seja apenas uma impressão. Pelas atitudes dos negacionistas da República, infelizmente, isso é fato mesmo.

Não obstante, como na canção famosa do mano Chico Buarque, aqui na Terra estão jogando futebol. O espetáculo não pode parar. Todos os dias aparecem novos jogadores contaminados. Mas e daí? E só mandar os caras para o estaleiro (DM) e chamar os reservas. E que sigam rindo as hienas!

E eu que já havia prometido a mim mesmo não falar mais disso, acabei falando. Eu havia prometido não falar mais disso porque lembrei de uma frase sábia da minha falecida mãe, Dona Luzia. A minha velha vivia me dizendo que “merda quanto mais mexe, mais fede”. Haja sabedoria popular!

Então, para que a merda não aumente a fedentina, vou mudar de assunto e passar a falar dos goleiros acreanos que romperam as fronteiras do estado e foram mostrar a sua arte em outras paragens. Mas não sem antes esclarecer que uma coisa nada tem a ver com outra, viu? Nada a ver não.

Foram vários os goleiros nascidos no antigo império de D. Luís Galvez que em algum momento das suas carreiras, dado as respectivas habilidades, chamaram a atenção do mundo e saíram do Acre para atrapalhar a vida dos diversos artilheiros. A começar pelo Weverton, titularíssimo do Palmeiras.

O Weverton, convocado para os próximos dois jogos da seleção brasileira, é o futebolista acreano melhor sucedido em todos os tempos. Até aqui, além das muitas convocações para a seleção, já conquistou, entre outros títulos, uma Copa Libertadores da América e uma medalha de ouro olímpica.

Mas existem outros goleiros que saíram para jogar em times fora do Acre. Não tiveram o mesmo sucesso do Weverton, que um raio, embora seja possível, dificilmente cai duas ou mais vezes no mesmo lugar. Enquanto escrevo, lembro de quatro nomes: Zé Augusto, Xepa, Tidalzinho e Máximo.

Zé Augusto, falecido recentemente, vítima do vírus (falei de novo na merda), jogou no juvenil do Flamengo-RJ, no final dos anos de 1960. Xepa, na década de 1970, jogou no Rio Negro-AM. Tidalzinho jogou no Amazonas e em Rondônia. E o Máximo andou por Rondônia, Amazonas e Goiás.

É por isso que eu sempre digo que basta um olharzinho apurado e um tanto de apoio de quem de direito para que o interior do Brasil revele talentos para o mundo do futebol. Falei futebol, mas os virtuoses podem surgir em qualquer atividade. A questão é que os caras preferem culpar os chineses!