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sábado, 18 de julho de 2026
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Gladson nega alinhamento em visita a Aleac e avalia 100 dias de governo como positivos

O governador Gladson Cameli (Progressistas) fez uma visita surpresa a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) na terça-feira, 9, pouco depois que a sessão foi suspensa para a análise de matérias pelos deputados estaduais. O chefe do Executivo se reuniu com os representantes do Legislativo por pouco mais de uma hora e negou que a conversa tenha sido motivada para definir um alinhamento entre os dois poderes. Ele avaliou que os 100 primeiros dias de governo foram positivos e que muitos avanços foram alcançados em várias áreas nos três últimos meses de gestão.

A ida do progressista foi feita seis dias depois que o Governo do Acre sofreu uma derrota histórica na Assembleia. Dos 23 deputados estaduais presentes durante a sessão, 22 votaram contra a indicação de Mayara Cristine Bandeira Lima à Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Acre (Ageac). Foi a primeira vez na história do Acre, desde a elevação a Estado em 1962, que o Legislativo impôs um veto a indicação de nome feita pelo Executivo. A negação dos parlamentares se deu pelo descumprimento do Artigo 44, inciso XXVIII, da Constituição Estadual.

O texto prevê que é de competência da Aleac aprovar indicações para alguns órgãos do Estado, caso da Ageac. O episódio mostrou uma tensão na relação entre os dois poderes, negada pelo governador na terça. “Disseram que estava ocorrendo um atrito entre o Executivo e a Aleac, mas nunca houve qualquer coisa do tipo. O que aconteceu foi uma indicação negada. Nos governos passados não podiam ir contra as indicações, mas aqui [neste] pode. Vivemos uma democracia e as únicas cores que adotamos são as que estão na nossa bandeira”, declarou em tom de brincadeira Cameli.

Durante a reunião com os deputados estaduais, Gladson anunciou que as emendas parlamentares para Educação, Saúde e Segurança Pública passarão de R$ 200 mil para R$ 500 mil. Uma minuta de Projeto de Lei (PL) será feita pelos legisladores, obedecendo o Regimento Interno da Aleac, para que a medida seja enviada, analisada e aprovada em plenário até o fim deste ano, período em que o Executivo quer liberar os valores reajustados. Questionado sobre o anúncio, ele negou que a medida foi feita para angariar apoio dos representantes legislativos em relação as demandas executivas.

O chefe de Estado reconheceu que errou ao fazer a indicação e nomeação na Ageac sem submeter o procedimento a Aleac. A mesma falta de consulta prévia a Assembleia Legislativa foi feita com a nomeação do atual diretor-presidente do Instituto de Previdência do Estado do Acre (Acreprevidência), Alércio Dias, também pode ser revogada. Cameli acenou para uma possível exoneração de Dias e afirmou que não insistirá em procedimentos negados pelos deputados. “Não vou colocar a faca no pescoço do Legislativo, mas sim valorizar os poderes e respeitá-los sempre”.

Entretanto, ele foi incisivo ao afirmar que não permitirá que outras instituições interfiram na independência do Judiciário, Legislativo e, principalmente, Executivo. Quando questionado sobre o que achou da recomendação do Ministério Público do Acre (MP-AC) de manter os atos assinados pela ex-diretora da Ageac, ele foi direto. “Prefiro responder da seguinte forma: o MP-AC é soberano em suas decisões e seus membros são maiores de idade e cada um faz o que achar melhor”.

De acordo com o governador, a avaliação do início da gestão comandada por ele é positiva nos últimos três meses e 10 dias de 2019. Ele garantiu que nenhum dos secretários escolhidos para a administração pública não serão demitidos por desempenharem um bom trabalho até o momento. “Isso só acontecerá se algum deles pedir demissão. Aconteceu de algumas das principais secretarias não se comunicarem nesse período e houve momentos de tensão. Mas intervi, falei sério e graças a Deus esses pequenos problemas foram resolvidos com entendimento e consenso”.

O governador destacou que todos os gestores, assim como ele, estão vivendo um momento novo na vida profissional e aprendendo/conhecendo sobre a estrutura do Estado. Para ele, é importante saber da situação total em que a administração pública se encontra para que as ações desenvolvidas sejam mais ágeis e eficientes conforme se tenha conhecimento total. Ele disse que ainda não há um raio x completo sobre os órgãos estaduais e que esse processo, que está em andamento em todas as esferas, deve ser finalizado até o fim deste ano para dar respostas à população.

“Vamos resolver os problemas e alguns deles já foram solucionados. Estamos pagando os fornecedores em dia, renegociando as dívidas deixadas pela gestão passada com os abastecedores, o convênio com o Hospital Santa Juliana foi retomado, garantindo o 13º que estava atrasado e o pagamento dos servidores do Pró-Saúde. Também vamos garantir até o início de maio o funcionamento do Huerb [Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco], da UPA [Unidade de Pronto Atendimento] de Cruzeiro do Sul e muitas outras ações necessárias”, afirmou Gladson.

O progressista destacou que a maioria das obras inacabadas deixada pela gestão do ex-governador TiãoViana já foram retomadas. Entre elas estão a finalização do novo prédio do Huerb, parada há quase 10 anos, e do Hospital Regional do Alto Acre Widy Viana. Além disso, as obras da UPA de Cruzeiro do Sul, de uma ala do hospital de Mâncio Lima e do Museu dos Povos Acreanos, que após o término será usado como sede da Seinfra e de outras estruturas administrativas do Estado. Outras ações como reformas de escolas e a finalização de ruas que estavam inacabadas já foram concluídas.