“Isso é um ajuste devido nós estarmos com limite fiscal ultrapassado”. A frase é do governador Gladson Cameli (PP) ao comentar sobre a exoneração de 340 cargos comissionados de seu governo. Os nomes foram publicados ontem, 19, em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE).
“Com a renegociação da dívida tenho que estar em dias e também para fazermos uma readequação de todos esses cargos comissionados para sabermos quem está trabalhando e quem não está, e ter um equilíbrio da base”, completou o governador.
O progressista frisa que as alterações realizadas na terça-feira, 17, pela Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), fez com que fossem adotadas pelo governo medidas austeras a fim de resgatar o equilíbrio fiscal do Estado para o devido cumprimento do teto de gastos públicos.
De acordo com o governador, o aumento do déficit previdenciário refletiu nas despesas com pessoal, levando o Estado a ultrapassar o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Neste caso, é preciso a adoção de medidas imediatas impostas pela legislação para evitar o agravamento da situação fiscal do Estado.
“Desde que assumimos o governo do Acre, em janeiro deste ano, trabalhamos no sentido de mantermos as contas públicas em dia, atendendo todas as exigências fiscais. Por isso, é necessário que as nossas ações continuem sendo executadas com responsabilidade e compromisso com a legislação e a sociedade”, disse Gladson Cameli.
Não se trata de retaliação
Na oportunidade, Gladson negou que as exonerações estejam relacionadas à derrubada de vetos de sua autoria pelos deputados estaduais na última terça-feira, 17. Disse ainda que respeita o Poder Legislativo e que nos próximos dias estará se reunindo com os deputados estaduais.
Apesar de declarar que não existe ranhuras entre o Executivo e Legislativo, Cameli ironizou a fala de alguns deputados que reclamam não terem cargos no governo. “A maior reclamação dos parlamentares é que há uns que tem dez (indicações) e outros que não têm nada. Então, como eu falo que é a democracia em que todos são iguais, foi a forma que adotamos para ter o equilíbrio fiscal e o equilíbrio político”, disse.
Para a próxima terça-feira, dia 24, Gladson Cameli irá convocar uma reunião com os deputados estaduais para debater outras situações pertinentes à situação econômica do Acre.
Demissões
Entre os demitidos estão familiares e amigos de parlamentares e do próprio Gladson Cameli. Nem mesmo o líder do governo na Aleac, o deputado Luís Tchê (PDT) escapou do corte. Entre os indicados do pedetista estão Nara Regina Sandri Schafer (esposa de Tchê), Arise Bernardete Schafer e Adinã Marcel Schafer. Nos corredores da Aleac comenta-se que Tchê cogita a ideia de deixar a liderança do governo.
O irmão do deputado Gerlen Diniz, um dos mais importantes aliados de Gladson na base governista, também foi exonerado. Trata-se de Gene Glenn Diniz Andrade, que mantinha um cargo de Chefe de Departamento na Fundação de Tecnologia do Estado do Acre – FUNTAC.
A prima de Gladson Cameli, que atuava na Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), Ana Paula Santiago Cameli, é uma das dispensadas.
Também foram dispensados Fagner Rojas Sales, filho do “Leão do Juruá”, Vagner Sales e da deputada Antônia Sales, que atuava na Seinfra, e Vânia Mendonça da Silva, sobrinha do deputado estadual Antônio Pedro. Stallin Naubert Silva de Araújo, filho de José Roberto, presidente da Coopserge, que foi candidato pelo PHS ano passado a deputado estadual, também está entre os exonerados.
Os órgãos mais atingidos com as exonerações são as secretarias de Saúde e de Educação. Do grupo de deputados aliados, o mais atingido foi o gabinete da deputada Antônia Sales (MDB).
Deputados revoltados
Mesmo o governo negando que a medida seja uma retaliação, os deputados estaduais não engoliram a justificativa e teceram críticas a atual gestão governamental. O emedebista classificou como absurda as exonerações por parte de Cameli.
“Acredito que o Gladson agiu muito errado para com os seus aliados. Sequer teve a hombridade de comunicar antes aos seus aliados da decisão que tomaria. Ele deveria repensar sua decisão, pois não se governa sem o parlamento e principalmente tem-se que respeitar o mesmo”, enfatiza o emedebista que vem colocando constantemente que seu mandato é independente.
E acrescentou: “Um absurdo o governo querer colocar a culpa do desequilíbrio das contas públicas nos deputados. A LDO foi encaminhada pelo executivo ao legislativo e construída em conjunto através das emendas apresentadas pelos parlamentares após a aprovação do próprio executivo. Ademais, a LDO estabelece a regra da construção do orçamento que ainda será encaminhado pelo executivo no final de setembro e que deverá ser votado em meados de dezembro para ser executado no próximo ano”, finalizou.





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