Dívida do Acre chega a R$ 3 bilhões
O governador Gladson Cameli (PP) reuniu a imprensa na tarde de quinta-feira, 10, para falar sobre a situação financeira do Estado. Ele confirmou que o Acre passa por dificuldade e atribuiu a culpa a gestão anterior.
De acordo com o chefe do Executivo, as dívidas com os bancos por meio de operações de crédito chegam a quantia de R$ 3 bilhões. A saída apresentada por Gladson para amenizar a situação é vender toda a dívida para um único banco. Dessa forma, segundo ele, poderá realizar novos investimentos em vários setores do Estado.
“Passei toda a tarde reunido com representantes do BNDES para negociar a venda da dívida do Estado. Eu tenho que renegociar para que eu possa respirar. Estamos contando cada centavo. A minha prioridade é não atrasar salários”, afirmou.
Ao pontuar uma queda no repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPE), Gladson destacou ainda que até o mês de dezembro o Estado deve desembolsar R$ 223.328.504,44 (Duzentos e vinte e três milhões, trezentos e vinte oito mil, quinhentos e quatro reais e quarenta e quatro centavos). O valor é referente a dívida direta, contraída através de operações de crédito.
“Os meses de julho, agosto e setembro são os mais difíceis do ano. Eu já sabia desse rombo, mas aceitei o desafio. Se tiver que cortar na carne para não atrasar salário, irei fazer”, garantiu.
Os pagamentos, segundo o governador, continuarão sendo feitos de maneira parcelada sendo R$ 52.721.099,92 (cinquenta e dois milhões, setecentos e vinte e um mil, noventa e nove reais e noventa e dois centavos) em outubro. Já em novembro serão pagos R$ 70.720.790,79 (setenta milhões, setecentos e vinte mil, setecentos e noventa reais e setenta e nove centavos). Em dezembro serão pagos R$ 99.886.613,73 (noventa e nove milhões, oitocentos e oitenta e seis mil, seiscentos e treze reais e setenta e três centavos).
Há a ainda o débito previdenciário que soma R$ 2.531.324,42. (Dois milhões, quinhentos e trinta e um mil, trezentos e vinte quatro reais e quarenta e dois centavos). O déficit previdenciário do Estado está atualmente no patamar de R$ 45 milhões. Em janeiro, quando Cameli assumiu o governo do Acre, a dívida era de R$ 40 milhões.
Serão pagos neste mês de outubro R$ 844.668,37 (Oitocentos e quarenta e quatro mil, seiscentos e sessenta e oito reais e trinta e sete centavos). Em novembro, o pagamento será de R$ 841.659,05 (Oitocentos e quarenta e um mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e cinco centavos). No mês de dezembro o desembolso será de R$ 845.000,00 (Oitocentos e quarenta e cinco mil reais).
Tem ainda o duodécimo, que são os valores repassados para os Poderes Judiciário e Legislativo que somam R$ 158.394.633,78 (Cento e cinquenta e oito milhões, trezentos e noventa e quatro reais, seiscentos e trinta e três reais e setenta e oito centavos).
Serão pagos em outubro R$ 52.798.211,26 (Cinquenta e dois milhões, setecentos e noventa e oito mil, duzentos e onze reais e vinte e seis centavos). Nos meses de novembro e dezembro, o Estado repassará aos Poderes parcelas no mesmo valor de R$ 52.798.211,26 (Cinquenta e dois milhões, setecentos e noventa e oito mil, duzentos e onze reais e vinte e seis centavos), respectivamente.
O governador reforçou que a situação é séria e precisará do apoio dos demais Poderes. Disse ainda que não permitirá que o assunto seja tratado de forma politiqueira. “Eu preciso ter paz para pagar as contas. Quem está contra, não está fazendo mal para mim, mas para o Acre. Eu estou tentando arrumar dinheiro para tapar o rombo que deixaram. Vamos fazer os ajustes necessários e se tiver que cortar, vamos cortar na própria carne”, salientou ao pontuar ainda que “não tem como resolver tudo em dez meses de gestão, mas garantiu que seu governo fará de tudo que for necessário para que Acre saia da crise”.
Paz entre Legislativo e Executivo
Gladson falou ainda sobre o suposto atrito entre o Legislativo e Executivo. Ele reforçou que os Poderes trabalham harmonicamente e em parceria. “A relação com o legislativo é a melhor possível. Eu preciso de respeito, só não dá para esticar a corda para que não haja arranhões. Eu não estou querendo que o legislativo não cumpra com sua obrigação, o que quero é ajuda para enfrentarmos e superarmos esses desafios”, disse.
Sobre a polêmica do arquivamento da LDO, Gladson afirmou que está estudando uma forma legal e que vai até onde a Lei permitir. “Eu estou me propondo, ou juridicamente ou pelo diálogo, sentar, conversar e tentar entrar em um consenso. Nós estamos trabalhando com a nossa procuradoria e vamos até onde a Lei permitir”, finalizou.




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