Por Tião Vitor
Poucos dias após completar 100 dias de mandato, o governador Gladson Cameli atendeu a um pedido do Opinião e concedeu uma entrevista exclusiva para falar de temos considerados “indigestos”, que são aqueles assuntos que não foram tratados durante entrevista coletiva concedida na quarta-feira, 10.
Inicialmente, a entrevista seria apenas registrada em um gravador para ser transcrita para a versão impressa do Opinião. Mas, aproveitando a oportunidade, a direção do jornal resolveu gravar em vídeo. O resultado é um pingue-pongue com duração de 45 minutos postado na manhã desta segunda-feira, 14, no site do Opinião (jornalopiniao.net).
Abaixo, segue os principais trecos da entrevista:
Relação com a imprensa:
Gladson Cameli afirmou que o seu governo quer ter uma relação de respeito com a imprensa. Garantiu que vai aceitar todas as críticas construtivas e considerou que essas serão importantes para lhe ajudar a governar.
“Quando você faz uma crítica construtiva, seja em qualquer situação, eu estou observando e aquilo faz eu enxergar o problema mais rápido e resolver”, disse. “Mas a minha relação com a imprensa, desde que eu fui parlamentar, sempre foi a melhor possível”, completou.
Para Gladson, numa escala de zero a dez, a relação dele com a imprensa está no nível oito.
Nepotismo:
O governador Gladson Cameli reconhece que há nepotismo em seu governo, inclusive, com um grande número de nomeações de parentes seus. Justificou o fato afirmando que sua família é muito grande, que se divide em três ramos, sendo a primeira os Camelis, em segundo os Messias e, em terceiro, os Limas, estando presente na área empresarial, no serviço público como funcionários de carreira e na política, o que resultaria, de uma forma ou de outra, de uma nomeação de alguns desses parentes. Gladson também explicou que não há qualquer vínculo dele com as empresas da família que têm negócios com o Estado.
“As empresas que eu sou ligado são as ligadas ao Eládio Messias Cameli, que é a construtora Etan, a Marmud Cameli, a Amazônidas. Todas essas são diretamente ligadas a mim, mas a última obra que essas empresas tiveram com o governo do Acre foram as da BR-364 em 2014, do governo Binho [Marques] até o governo Tião [Viana]. Depois disso, as empresas ligadas diretamente a Gladson Cameli não pegam e não irão pegar nenhuma obra.”
CPI da Energisa:
Gladson Cameli nega que haja interesse seu em barrar a CPI da Energisa que estava em discussão na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), já que as suas empresas teriam atuação no ramo de geração e distribuição de energia. Diz que a CPI é fundamental quando não politizada. Alega que uma investigação desse porte jamais atingiria seu governo, mas que poderia, sim, atingir o governo passado que teria elaborado a tabela de ICMS para o setor no Acre e teria feito Refis com a empresa de energia. Contudo, disse temer que uma CPI chegue a prejudicar os investimentos feitos no Estado, com os do Luz Para Todos do governo federal.
Rombo no Orçamento:
Um levantamento feito pela equipe econômica do governo aponta um rombo de cerca de R$ 3,8 bilhões nas contas públicas. Membros do governo anterior negam e ainda afirmam que o dinheiro em caixa, resultante da arrecadação própria e dos repasses federais, é bem-maior que o que tem sido informado por Cameli, suficiente, inclusive, para quitar dívidas como as do décimo terceiro dos servidores públicos, que não foi paga durante o governo de Tião Viana.
“Quando se envolve dinheiro, eu tenho que contar com o que está na conta. Realmente, no mês de janeiro a arrecadação caiu. No mês de fevereiro subiu e, no mês de março, deu uma caída. A parte econômica está trabalhando com aquilo que está depositado, não com a especulação”.
A despetização:
Gladson concorda haver exagero em muitos casos que envolvem a contratação de pessoas que trabalharam em funções importantes no governo passado e que teriam sido identificados como petistas por seus aliados políticos.
“Isso me incomodou bastante porque se tornou maior do que os problemas do Estado em algum momento. Eu fui eleito com um discurso que foi o de governar para todos. E se eu vou trabalhar para todos, eu posso governar com todos”, argumenta. “Agora, teve algumas pessoas que torceram por uma mudança. E quando se quer uma mudança, não se pode praticar as mesmas coisas de quem estava no poder. Mas tinham alguns que queriam manter o que eles faziam, mas com o nosso pessoal”, justifica. “E pra botar a máquina para andar, eu tive que pegar muita gente da gestão passada, que foi o que gerou muito esse impasses”.
Auditoria na folha de pagamento da Saúde:
O governador Gladson Cameli já tinha dito durante entrevista coletiva realizada na quarta-feira passada, que deve realizar uma auditoria na folha de pagamento da Secretaria de Saúde. Nesta entrevista concedida ao Opinião, ele voltou a falar no assunto, pois disse estar convicto que há algo de errado nela.
“Há um equívoco muito grande. Eu acredito que tem gente que tem gente com mais de um contrato, conforme o próprio jornal Opinião publicou. Eu acredito, só não tenho as provas. Ontem, inclusive, eu tratava desse assunto junto com o secretário de Saúde, da Fazenda e da Administração para saber quando essa auditoria se inicia. Eu quero que ela para ontem para chegar até 31 de julho sem estar questionando qualquer assunto do governo passado.”
Privatização na Saúde:
De acordo com o governador, não há intensão de privatizar a Saúde no Acre. Há, no entanto, o interesse de aplicar em algumas unidades uma experiência exitosa registrada no Distrito Federal. Gladson lembra que recentemente levou um grupo de parlamentares acreanos para conhecer essa experiência em Brasília. Experiência similar estaria sendo aplicado no hospital regional do Juruá. Seria, explica ele, apenas uma forma de descentralização da gestão, que teria mais autonomia para gerenciar os hospitais, principalmente, no que se refere aos recursos financeiros.
O restante da entrevista você pode acompanhar no site jornalopiniao.net será publicado nesta manhã.


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