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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Folha de São Paulo repercute descoberta de fóssil de tartaruga gigante no Acre

Descoberta no leito do Rio Acre pode ser a maior já registrada no Brasil e revela nova peça do quebra-cabeça pré-histórico da Amazônia

Uma descoberta paleontológica feita em junho deste ano no Acre ganhou destaque nacional nesta quinta-feira (4), ao ser repercutida em matéria especial da Folha de São Paulo. Trata-se de parte de um fóssil de tartaruga gigante, encontrado por pesquisadores da Universidade Federal do Acre (Ufac), em parceria com cientistas da USP e Unicamp, no leito do Rio Acre, próximo à comunidade de Boca dos Patos, no município de Assis Brasil, fronteira com o Peru.

Segundo a reportagem assinada por Reinaldo José Lopes, publicada na editoria de Ciência, a carapaça encontrada pode pertencer à espécie Stupendemys geographicus, considerada a maior tartaruga de água doce que já existiu. A espécie viveu na região há aproximadamente 9 milhões de anos, durante o período conhecido como Mioceno Superior.

Com mais de 1,3 metro de comprimento estimado, o fóssil é uma das mais bem preservadas amostras já encontradas da espécie em território brasileiro. Até então, apenas carapaças completas localizadas na Venezuela eram referência para os estudos da Stupendemys.

“É uma peça que pode nos ajudar a compreender melhor a biodiversidade extinta da Amazônia e as conexões de rios pré-históricos que formavam um verdadeiro superpantanal”, explicou o paleontólogo Carlos D’Apolito, coordenador da expedição, à Folha.

Resgate desafiador

A operação de retirada do fóssil exigiu esforço logístico e muita improvisação. O material, pesando dezenas de quilos, foi cuidadosamente moldado com gesso, protegido com lona e transportado em estrutura de madeira por mais de nove horas de barco até o centro de Assis Brasil. De lá, foi encaminhado por caminhão até o Laboratório de Paleontologia da Ufac, em Rio Branco.

Agora, os cientistas trabalham na limpeza e reconstituição do material, que ainda deverá passar por análises detalhadas. Os estudos contam com apoio de instituições como CNPq, Fapesp e Fapac, dentro do projeto “Novas fronteiras no registro fossilífero da Amazônia Sul-Ocidental”.

Importância científica

A repercussão da descoberta em veículos de grande circulação, como a Folha de São Paulo, reforça o valor da pesquisa científica desenvolvida na Amazônia Ocidental e a importância da conservação do patrimônio geológico da região. Para os pesquisadores envolvidos, a peça pode fornecer pistas sobre o comportamento da espécie, suas relações ecológicas e até mesmo diferenças entre machos e fêmeas — graças à análise detalhada da carapaça e dos ossos do membro anterior (úmero) e posterior (fêmur) também encontrados.

A expectativa é que o fóssil, após estudos e restauração, fique em exposição permanente no Acre, como marco simbólico do potencial paleontológico da floresta amazônica.