Chefe do grupo de trabalho antissuborno da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), Drago Kos afirma que a saída de Sergio Moro do governo brasileiro “ainda não prejudicou” a imagem de combate à corrupção no Brasil, mas será preciso aguardar o resultado do inquérito sobre as acusações feitas pelo ex-ministro contra o presidente Jair Bolsonaro e outros impactos da demissão para avaliar a adesão do Brasil ao clube dos ricos.
Kos disse à Folha que a saída de Moro foi vista com surpresa nos fóruns internacionais –”não é todo dia que um combatente anti-corrupção renuncia ao cargo”– e que agora é preciso observar qual será a influência disso no trabalho de investigadores, promotores e juízes brasileiros.

“Se a eficácia deles começar a diminuir ou se for comprovado a existência de interferência política na aplicação dos padrões nacionais e internacionais de combate à corrupção, isso teria consequências imediatas e negativas para a percepção internacional da luta do país contra a corrupção.”
A agência Bloomberg revelou que a candidatura do Brasil à OCDE estava sob escrutínio depois que Moro acusou Bolsonaro de interferir na Polícia Federal e, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, Kos confirmou que o Brasil seria ouvido por sua equipe em junho mas, se ainda não houvesse informações suficientes sobre as apurações, a decisão sobre a chancela ao Brasil poderia ser adiada para outubro.
O Brasil pleiteia a entrada na OCDE deste 2017, ainda durante o governo Michel Temer, mas o movimento foi intensificado no ano passado, com Bolsonaro e seus auxiliares em campanha junto ao governo dos EUA.
“No processo de adesão à OCDE, os países precisam cumprir critérios diferentes, em várias áreas diferentes, e cada um deles é igualmente importante. Na ausência de quaisquer consequências negativas diretas adicionais na área substancial em que a pessoa estava envolvida, a demissão de uma pessoa, não importa o quão importante ela ou seu cargo sejam, nunca seria considerado um não cumprimento de qualquer critério.”
Kos ressaltou que a adesão do Brasil não é decidida por seu grupo de trabalho, o que é feito pelo conselho de países membros. Ele é apenas uma parte do processo, portanto, não poderia comentar nenhum aspecto geral da entrada do país na organização.
A expectativa é que o grupo de Kos consulte o governo brasileiro em junho para pedir explicações sobre o andamento da investigação. Caso não haja resultado ou informações suficientes, uma nova consulta será feita em outubro.


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