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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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Feridas nos cascos de bovinos causam prejuízo nos rebanhos de corte

Francisco Aloísio Cavalcante¹

Há tempos os rebanhos bovinos do estado do Acre vêm apresentando afecções nos cascos, o que causa severos prejuízos para a atividade pecuária. O surgimento dessas doenças causa prejuízo econômico na pecuária de corte, devido aos custos com o tratamento e às perdas no desempenho produtivo e reprodutivo de machos e fêmeas. Os animais acometidos pela doença diminuem o consumo de pasto, devido à dificuldade de se locomover para procurar alimento.

Os traumatismos nos cascos das matrizes provocam dor e retardam o cio. Assim, podem alongar o período de serviço e o intervalo de partos, com consequentemente redução na produção de bezerros(as) por ano. Em animais adultos ou jovens destinados à venda, pode surgir deformações nos cascos, causando péssima aparência, o que interfere no preço, além de aumentar o número de descartes. Os reprodutores podem ficar impossibilitados de realizar a monta natural e, com isso, reduzir os índices de prenhez do rebanho. Com esse problema, os animais comerciais e os de alto valor acabam sendo destinados precocemente para o abate.

Os criadores identificam as afecções de cascos por vários nomes, como frieira, podridão e, a mais conhecida, gabarro. Tecnicamente, essas doenças podais de uma maneira geral são chamadas de pododermatites ou pododermites. As enfermidades, dependendo da localização nos cascos de membros anteriores ou posteriores, são denominadas de dermatite interdigital, dermatite digital, erosão dos talões, hiperplasia interdigital (tiloma), necrobacilose interdigital, pododermatites circunscritas, fleimão interdigital, afecções da linha branca e fissuras ou rachaduras do casco.

Os fatores que contribuem para o surgimento da doença são inúmeros e no estado do Acre supõe-se que o solo seja determinante, pois essas afecções ocorrem com maior frequência nos rebanhos criados em algumas regiões de solos mal drenados, chamados de tabatinga.

A doença é causada por germes das espécies de bacterioides denominados Bacterioides nodosus e Bacterioide melanimogenicus. Além desses germes, fatores externos também contribuem para o surgimento das feridas nos cascos como, por exemplo, o piso dos currais, que muitas vezes são constituídos de pedras, e o piso de seringas. Esses ambientes, apesar de serem cimentados, podem ser muito abrasivos e causar traumatismos nos cascos no momento do manejo dos rebanhos para aplicação de vacinas ou medicamentos.

É importante saber identificar a doença nos rebanhos no início para aumentar o sucesso do tratamento. No dia a dia das fazendas, em especial no momento do rodeio diário do rebanho nas pastagens, os peões devem observar a presença de animais mancando. Ao constatar o surgimento dessas manqueiras deve ser tomada uma providência imediata, pois muitas vezes é necessário efetuar a contenção e derruba do animal no pasto para observar os cascos, fazer limpezas e, caso o traumatismo seja grave, conduzir o animal ao curral para cuidados mais intensivos.

A literatura aponta que o custo anual de tratamento de um animal doente dos cascos gira em torno de R$ 150,00, porém, há estudos que estimam esse custo em até R$ 500,00. No estado, há relatos de propriedades que tiveram que efetuar o casqueamento de 1.500 animais por ano como forma de prevenção, correção e tratamento dessas afecções. Isso demonstra a gravidade do problema para a pecuária do Acre.

Para diminuir a incidência dos problemas de cascos nos rebanhos é fundamental que a propriedade tenha um brete com pedilúvio, por onde deverão ser conduzidos os animais que apresentarem feridas nos cascos, durante o manejo.

Existem duas formas para o tratamento da doença de cascos nos rebanhos bovinos. A mais simples pode ser realizada nos animais no momento do rodeio no pasto. Os peões observam os animais mancando e ali mesmo, no pasto, derrubam e imobilizam esses animais para observação do problema. Se for traumatismo leve nos cascos, pratica-se uma limpeza e efetua-se aplicação tópica de medicamentos específicos. Nessa observação, caso sejam identificados animais com traumas maiores, estes devem ser conduzidos para o pasto mais próximo do curral, para serem tratados diariamente, de forma mais intensiva.

A segunda forma de tratamento é a coletiva, com passagem dos animais pelo pedilúvio pelo menos duas a três vezes por semana. Para essa alternativa, é importante que essa estrutura tenha profundidade de 10 centímetros (altura do boleto), para permitir o contato dos animais com as soluções antissépticas à base de formol a 10%, creolina a 2% ou sulfato de cobre ali colocadas. Os animais mais afetados deverão receber, também, aplicação parenteral de antibióticos, atendendo orientação veterinária.

É importante que os animais afetados, após cada tratamento, sejam colocados em pastagens diferentes dos animais sadios para evitar a contaminação do restante do rebanho. Com gado de corte o trabalho é maior devido ao grande número de animais existentes nas propriedades, mas se o problema está ocorrendo, não tem outra saída, a não ser enfrentá-lo e efetuar o tratamento.

A doença normalmente surge de forma amena em qualquer rebanho bovino, mas é importante estar atento e observar animais com problemas a fim de iniciar o tratamento imediato. Além disso, é importante incluir na alimentação de todas as categorias do rebanho uma boa suplementação mineral durante o ano.

¹ Médico-veterinário
Pesquisador da Embrapa Acre