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terça-feira, 9 de junho de 2026
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Estudantes ocupam administração da USP após fim da greve e são retirados pela Polícia Militar

Um grupo de estudantes ocupou, na noite de segunda-feira (8), áreas da administração central da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, na capital paulista. A mobilização ocorreu poucas horas após uma assembleia aprovar o encerramento da greve estudantil iniciada em abril, considerada uma das maiores da história recente da instituição.

A ocupação terminou após a intervenção da Polícia Militar, acionada para retirar os manifestantes do local.

Estudantes cobravam melhorias e ampliação de benefícios

Segundo os participantes do movimento, a ação teve como principal objetivo pressionar a universidade por avanços em pautas relacionadas à permanência estudantil, à qualidade da alimentação oferecida nos restaurantes universitários e à revisão de processos disciplinares envolvendo estudantes que participaram de manifestações anteriores.

Entre as reivindicações estavam o reajuste dos programas de auxílio estudantil, melhorias na infraestrutura dos restaurantes universitários e mudanças em medidas adotadas pela administração da universidade.

Em um manifesto divulgado nas redes sociais, os organizadores afirmaram que a ocupação representava a continuidade das mobilizações realizadas durante o período de greve.

Universidade relata agressões durante a ocupação

Em nota oficial, a USP informou que os manifestantes estariam encapuzados e portavam pedaços de madeira, cassetetes e rojões durante a ocupação.

Segundo a universidade, integrantes da guarda universitária foram agredidos durante a ação, resultando em escoriações e ferimentos.

A administração afirmou ainda que pelo menos três seguranças precisaram ser encaminhados ao Hospital Universitário para atendimento médico.

Manifestantes denunciam violência policial

Os estudantes, por outro lado, relataram que a retirada promovida pela Polícia Militar foi marcada por episódios de violência.

De acordo com os relatos divulgados pelos manifestantes, ao menos dez pessoas foram levadas ao 7º Distrito Policial, localizado na região da Lapa.

Os alunos também afirmam que houve feridos durante a desocupação. Entre os casos relatados estão o de um estudante que teria desmaiado e o de uma aluna que teria sido atingida no rosto durante a ação policial.

Até o momento, a Polícia Militar não havia divulgado posicionamento oficial sobre as acusações apresentadas pelos estudantes.

Greve foi encerrada no mesmo dia

A ocupação ocorreu horas após a assembleia estudantil aprovar o fim da paralisação iniciada em 14 de abril.

A proposta de encerramento da greve recebeu 323 votos favoráveis, enquanto 255 estudantes defenderam a continuidade do movimento. Houve ainda nove abstenções.

A mobilização envolveu 43 unidades da universidade e foi marcada por momentos de forte tensão, incluindo a ocupação da reitoria em maio, quando a Polícia Militar também foi acionada para realizar a desocupação.

Durante as negociações com representantes estudantis, a reitoria anunciou medidas como o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Pafpe), melhorias no Conjunto Residencial da USP (Crusp) e ampliação dos canais de diálogo com a comunidade acadêmica.

Com o fim da greve aprovado, a expectativa agora é pela retomada das atividades acadêmicas, enquanto as discussões sobre permanência estudantil e assistência aos alunos seguem em pauta dentro da universidade.