Para a coordenadora de ensino da escola, professora Cláudia Valente, esses números e percentuais tendem a aumentar na medida em que as universidades começarem a fazer as segunda e terceira chamadas. A meta, segundo ela, é chegar no percentual do ano passado, quando cerca de 50% dos alunos foram aprovados em algum curso superior.
Pedagogia, História, Física e Geografia na Ufac, Direito na Faao e Odontologia na Uninorte estão entre os cursos para os quais os alunos foram aprovados. Na lista, até ex-alunos, como o Henrique Vieira, que já tinha sido aprovado em Física na Ufac em 2015 e frequentava as oficinas interativas. Foi aprovado novamente.
Como explica Cláudia Valente, a maioria dos alunos é “prata da casa”, pois já estudam na escola há muito tempo. É o caso de Adriene Carvalho, aprovada para o curso de Educação Física na Ufac. Está na escola desde o nono ano do ensino fundamental. E ela fez questão de elogiar o modelo de escola integral. “O ensino melhorou muito”, disse.
“Eu costumo dizer que esse modelo de escola (Integral) é uma nova cultura, uma nova identidade para o ensino médio porque trouxe muitas inovações, principalmente inovações proativas. É um modelo para quem realmente quer fazer um curso de nível superior”, afirmou a professora.
Além da Boa União, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Educação, Cultura e Esportes (SEE), possui ensino integral em mais seis escolas da capital (Glória Perez, Humberto Soares, Instituto Lourenço Filho, Armando Nogueira, José Ribamar Batista e Sebastião Pedrosa) e três no interior (Djalma Batista, em Tarauacá, Craveiro Costa, em Cruzeiro do Sul e Kairala José Kairala, em Brasileia).
Maior nota da redação – O esforço e a dedicação da aluna Jennifer Jucá, que estuda na Boa União desde 2011 (ensino fundamental) a levaram a obter a maior nota da redação entre os alunos das escolas públicas do Acre. Nada menos do que 940 pontos, uma excelente média que possibilitou que fosse aprovada e chamada para cursar História na Ufac.
Assim como outros alunos que já haviam realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e passado, Jennifer tinha sido aprovado para Letras, também na Ufac. Chegou a iniciar o curso, não gostou, passou a frequentar as oficinas proativas e agora vai “fazer o que gosta”, segundo ela mesmo.
Ela conta que com o modelo de escola integral, passou a estudar mais, adquirindo mais conhecimento. Desistir de História, para ela, está fora de cogitação. “Escrevo desde os 15 anos e agora estou muito feliz porque vou fazer o que realmente gosto”, destacou.
Superando dificuldades
A Escola Boa União está localizada no bairro de mesmo nome, na região da Baixada da Sobral. Isso, entretanto, não foi empecilho para o estudante Isaías Costa, que mora no Segundo Distrito da cidade. A aprovação o deixou muito feliz e também os seus pais, que torciam por ele.
“Eu acordava às 5h para ir para a escola, chegava muito exausto em casa, mas não me deixava abalar, continuei estudando e superei as dificuldades e isso foi muito gratificante para mim e para os meus pais, que esperavam por esse resultado”, fez questão de dizer.
Ele também é “prata da casa” e agora terá a oportunidade de estudar Física na Ufac. “Era o curso que eu queria fazer, me identifico muito com matemática e, além disso, tive também muita influência do professor, que é muito bom e nos incentivou muito”, acrescentou.


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