Rio Branco
23°C
quarta-feira, 24 de junho de 2026
01:00

Erro em investigação gera ameaças: polícia apura ataques a adolescente inocente no caso do cão Orelha

A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para identificar os autores de ameaças de morte, perseguição e exposição indevida de dados pessoais contra um adolescente de São Roque (SP), que foi falsamente apontado como envolvido na morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis (SC).

O jovem passou a ser alvo de ataques após a circulação de mensagens com nome completo, CPF e endereço, o que gerou medo constante para ele e sua família. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o adolescente nunca esteve em Santa Catarina e não possui qualquer relação com o crime investigado.

Confusão de nomes desencadeou onda de ameaças

A polícia apurou que as ameaças começaram após uma confusão causada pela semelhança de nomes entre o adolescente paulista e um dos investigados no inquérito conduzido em Santa Catarina. Mesmo sem ligação com o caso, o jovem passou a receber mensagens violentas e intimidatórias.

Entre os conteúdos enviados estão frases como “Vai chegar o dia dele” e “Teu filho vai apodrecer no caixão”, além de publicações incentivando represálias.

A Polícia Civil destacou que a divulgação de informações de menores de idade viola diretamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura o sigilo da identidade e proteção integral.

Investigação mira crimes digitais e disseminação de fake news

A delegacia responsável analisa prints, registros de mensagens e provas digitais encaminhadas pela família. O inquérito busca identificar tanto quem iniciou a divulgação da falsa acusação quanto aqueles que reproduziram e amplificaram as ameaças.

As apurações envolvem possíveis crimes de:

  • Perseguição (stalking);
  • Ameaça;
  • Invasão de dispositivos ou contas digitais.
  • Relembre o caso do cão Orelha

    O crime ocorreu na Praia Brava, em Florianópolis, no início de janeiro. Orelha era um cão comunitário, conhecido e cuidado por moradores da região, e morreu após ser agredido por um grupo de jovens.

    A investigação em Santa Catarina já ouviu mais de 20 testemunhas, analisou cerca de mil horas de imagens de câmeras de segurança e apreendeu celulares de suspeitos.

    Até o momento, a polícia catarinense descartou a participação de um dos adolescentes inicialmente apontados, após comprovar que ele não estava no local no momento das agressões.