Rio Branco
21°C
sexta-feira, 5 de junho de 2026
05:20

Empresário confessa fraudes bilionárias no INSS e fecha acordo com a PF

O empresário Maurício Camisotti tornou-se o primeiro delator no esquema de fraudes contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) ao firmar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. Preso desde 2025, ele admitiu participação no desvio bilionário que atingiu aposentados e pensionistas em todo o país.

A delação já foi encaminhada ao ministro André Mendonça, do STF, responsável por analisar e decidir sobre a homologação do acordo. A expectativa da defesa é que a colaboração resulte em benefícios, como a conversão da prisão preventiva em domiciliar.

Esquema bilionário no INSS

As investigações fazem parte da Operação Sem Desconto, que revelou um esquema de descontos indevidos aplicados diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas.

Segundo a Polícia Federal, o prejuízo pode chegar a R$ 6,3 bilhões, envolvendo entidades que realizavam cobranças sem autorização dos beneficiários.

Esses descontos eram, muitas vezes, vinculados a associações ou serviços que os segurados afirmam nunca ter contratado, o que levantou suspeitas e levou à abertura de uma ampla investigação.

Quem é Maurício Camisotti

Maurício Camisotti é empresário do setor de seguros e planos de saúde e apontado como um dos principais operadores financeiros do esquema investigado.

De acordo com apurações, empresas ligadas a ele teriam movimentado valores expressivos por meio de entidades associativas envolvidas nas fraudes.

Relatórios indicam que apenas três organizações sob seu comando teriam faturado mais de R$ 1 bilhão desde 2021, utilizando mecanismos que permitiam a realização de cobranças automáticas sobre benefícios previdenciários.

Participação da família no esquema

O caso também envolve familiares do empresário. Seu filho, Paulo Camisotti, é apontado como responsável pela gestão de mais de 20 empresas investigadas na operação.

As autoridades identificaram uma rede estruturada de empresas e entidades que operavam de forma integrada para movimentar os recursos obtidos com os descontos indevidos.

Segundo parlamentares que acompanham o caso, o volume de recursos movimentado pela família Camisotti pode ter sido significativamente superior ao de outros investigados.

Ligação com outras entidades investigadas

As empresas associadas ao empresário também teriam recebido repasses de entidades como a Ambec (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), considerada uma das principais organizações envolvidas no esquema.

A atuação dessas entidades está no centro das investigações, já que eram utilizadas como intermediárias para legitimar os descontos aplicados nos benefícios do INSS.

O que pode mudar com a delação

A colaboração de Maurício Camisotti pode ser decisiva para o avanço das investigações. A expectativa é que o empresário apresente detalhes sobre:

  • O funcionamento do esquema de descontos indevidos;
  • Os responsáveis pela articulação das fraudes;
  • A participação de empresas e intermediários;
  • O fluxo financeiro dos valores desviados.
  • As informações podem levar à identificação de novos envolvidos e ao aprofundamento das apurações sobre um dos maiores esquemas já investigados no sistema previdenciário brasileiro.

    O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal, que decidirá sobre a validade do acordo e os possíveis desdobramentos da delação.

    Com informações NDMais