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domingo, 14 de junho de 2026
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Em um ano, número de pessoas enterradas sem identificação dobra no Acre

Em um ano, número de pessoas enterradas sem identificação dobra no Acre

Enterro acontece quando corpo está em estado avançado de decomposição e não foi identificado. Em 2017, foram 4 casos assim, já em 2018, esse número foi duas vezes maior

O Instituto Médico Legal (IML) divulgou, a pedido do G1, o número de pessoas enterradas sem identificação no período de um ano. Ao todo, entre 2017 e 2018, doze pessoas foram enterradas dessa forma – 4 em 2017 e 8 em 2018.

Isso ocorre quando o corpo está em estado avançado de decomposição e familiares não procuram o órgão.

Mesmo o número de 2018 sendo duas vezes maior do que no ano anterior, a direção do IML considera uma quantidade pequena dentro dos procedimentos registrados. O médico legista Alexandre Baroni, que é diretor do IML, explica que o procedimento de enterrar não identificados segue as mesmas etapas que de uma pessoa identificada, inclusive, com mais burocracia ainda.

Os meios de identificação ocorrem através de exames DNA e arcada dentária, por exemplo. “Mesmo assim, se não identificou, quando ele tiver condições de ser guardado, ou seja, quando o óbito é recente o corpo não está putrefato, coloca-se na geladeira e fica lá o tempo que for necessário – pode ser dois meses ou um ano”, explica.

Porém, quando o corpo já é encontrado em estado avançado de decomposição, não há como mantê-lo, inclusive, por uma questão sanitária. “Quando o corpo já está putrefato, não tem como eu guardar, porque logo vai começar a dar mau cheiro”, destaca.

Outro fator também que impossibilita o reconhecimento é que os corpos nesse estado ficam irreconhecíveis. Baroni diz ainda que a orientação é até mesmo evitar que familiares tenham acesso a corpos assim.

“Então, nesse estado de decomposição, você tenta, mas não tem como conservar. Então, a gente tira fotos do cadáver, das roupas, tatuagens, tira material pra DNA, digital e pronto. Emitimos a declaração de óbito de não identificado, vai no cartório, faz a certidão, que vai pra assistência social e libera o caixão e a terra. Só depois disso tudo, a funerária vai e enterra”, pontua.

O diretor enfatiza ainda que, além da espera por familiares, é feita uma busca efetiva para tentar encontrar amigos e familiares. Ele relembra ainda um caso em que um filho reconheceu a mãe dias após ela ter sido enterrada.

“Agora, o que a gente tenta acelerar é a questão do enterro, porque o corpo não pode ficar putrefato na sala de necrópsia, porque para tudo. Se eu deixar um corpo ali dessa forma, cria-se um problema social e de vigilância sanitária”, finaliza.