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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Em dois dias, Acre tem impressionantes 752 novas contaminações e 14 pacientes esperando na fila da UTI

REPÓRTER OPINIÃO

A fila não anda nas UTIs, os números de contaminação não param de subir e, como resultado disso tudo, ao menos 467 pessoas no Acre já morreram de Covid-19, desde o dia 1º de janeiro de 2021. Até esta quarta-feira, 31, já são 1.262 vidas perdidas desde 2020.

Um levantamento com base no Sivep-Gripe, o Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe, usado pelo Ministério da Saúde para monitorar as internações nas redes pública e privada, mostra que quatro em cada dez mortes – das 73.105 que já aconteceram em todo o Brasil este ano – as vítimas não passaram por uma UTI.

Aqui no Acre, até a tarde desta quarta-feira, 31 de março, pelo menos 14 pacientes estavam na lista de espera por uma vaga de terapia intensiva, segundo Boletim da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre).  As sucessivas transferências que estão sendo feitas para Manaus – algumas também para Cruzeiro do Sul, desde Rio Branco, não estão dando vazão à demanda.

Para se ter ideia do volume de pessoas contaminadas que entram nas estatísticas do Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) da Sesacre, somente entre esta terça-feira, 30, e a quarta, 31, aumentou de 198 para 554 o número de casos de infecção pelo novo coronavírus. Desse modo, em 24 horas, foram 752 pessoas contaminadas, um número altíssimo em dois dias e que mostra que a curva da infecção continua subindo, apesar dos esforços do governo do estado em fazer lockdown nos sábados, domingos e feriados.     

Nas 11 primeiras semanas do ano, mais de 28 mil brasileiros morreram de Covid-19 nos hospitais do país sem passar por uma UTI. Os óbitos de pacientes que não chegam ao tratamento intensivo em 2021 são 38% do total, sendo quase 40% entre 14 e 20 de março.

De meados de janeiro a meados de fevereiro deste ano, quando os sistemas de saúde da região Norte entraram em colapso, a proporção de pacientes que morreram sem passar pela UTI passou de 50%. No Acre, Amazonas e Roraima, ela chegou a 60%, segundo os números do Sivep-Gripe.

Nos dados analisados pela reportagem foram considerados pacientes já classificados como de Covid-19, a maioria, e os que receberam provisoriamente o diagnóstico de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) não específica, mas que, seguindo metodologia da Fundação Oswaldo Cruz, traziam sintomas indicativos da doença: febre acompanhada de tosse, dor de garganta, desconforto respiratório, falta de ar, baixa saturação de oxigênio no sangue, perda de olfato ou de paladar.

No último dia 26 de março, uma sexta-feira, ao menos 5.432 pessoas aguardavam vaga em UTIs para Covid em todo o Brasil, sendo 13 delas no Acre.

“O cenário não vem mudando em quase nada”, dizem os epidemiologistas. Segundo Domingos Alves, cientista da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto, o cenário de mortes fora das UTIs atesta que os sistemas de saúde dos estados já entraram em colapso. Esse número era elevado no auge da primeira onda, decresceu ao longo de 2020 e explodiu com o aumento da transmissão registrado a partir de dezembro.

Mais nove mortes são registradas nesta quarta-feira

Mais 9 mortes foram registradas nesta quarta-feira, 31, sendo 6 do sexo masculino e 3 do sexo feminino, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 1.262 em todo o estado.

A Sesacre, por meio do DVS, registra 554 casos de infecção por coronavírus nesta quarta-feira, 31, sendo 248 casos confirmados por exames de RT-PCR e 306 por testes rápidos. O número de infectados saltou de 69.103 para 69.657 nas últimas 24 horas.

Até o momento, o Acre registra 184.305 notificações de contaminação pela doença, sendo que 113.694 casos foram descartados e 954 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. Pelo menos 54.045 pessoas já receberam alta médica da doença, enquanto 351 pessoas seguem internadas.

Diante da taxa de ocupação de leitos sobrecarregada no Sistema Único de Saúde, o Estado segue agora trabalhando, com apoio do governo federal, com a transferência de pacientes para outras localidades onde há disponibilidade de leitos para tratamento da Covid-19.