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Dona Senhorinha vence a Covid-19 em 2020, e em 21, completa 104 anos de vida

POR AGOSTINHO ALVES

Caminhando completamente lúcida, capaz de observar o encontro dos rios Acre e Purus e ver a natureza e suas nuances, Dona Senhorinha chegou aos 104 anos de idade, nesse dia 2 de fevereiro de 2021, depois de ter vencido a Covid-19, em 2020, que nada mais lhe causou do que a ausência de olfato e paladar, prova de sua vitalidade que lhe propiciou chegar a tão longe nos seus dias de vida, que pelo parece, ainda têm muito por vir.

Em abril do ano passado, depois de ter sentido sinais e sintomas leves da presença do Novo Coronavírus, Dona Senhorinha fez o teste em casa, que acusou a doença. A família ficou muito preocupada, principalmente pela idade avançada de Dona Senhorinha, que afirmou não ter sofrido as consequências graves da enfermidade.

Em entrevista ao Portal A Crítica, Dona Senhorinha disse que fazia falta sentir o cheiro e o gosto do torresmo, um de seus pratos preferidos.

Depois de saber que estava doente, Dona Senhorinha se tratou em casa, tomando vitaminas e com repouso, assim, sem passar um dia sequer no leito de qualquer hospital, a centenária bocacrense ficou curada.

Biografia


Dona Senhorinha nasceu no seringal Santo Antônio no estado do Acre, casou-se apenas uma vez com Mariano Teixeira de Moura com quem teve 4 filhos: Raimunda, Hildeberto e as gêmeas Antônia Amália e Antônia Amélia. Além dos filhos biológicos ela possui 2 filhos adotivos: Ana Maria e Eli de Souza. Maria tem 16 netos, 34 bisnetos e 10 tataranetos.

Veio para Boca do Acre quando suas filhas mais novas tinham a idade de 5 anos, ela relata que ao chegar aqui a cidade ainda não possuía ruas e sim pequenas vielas rodeadas de árvores que com o passar do tempo foram dando lugar as casas que começaram a ser construídas.

Na época seu esposo era soldado da borracha e trabalhava em uma colônia situada no Platô do Piquiá. A família também possuía uma pequena casa de farinha que ficava próxima a casa onde residiam, local este que pertence atualmente ao estádio de futebol Artur Leite.

Maria Teixeira também ficou conhecida por ser uma boa parteira, tendo realizado cerca de 300 partos durante a vida, o último foi aos 90 anos. Para ela “tudo na vida sua vida foi importante, mas nada se compara ao seu trabalho”, relata.

Senhorinha presenciou a morte de seu esposo, muitos irmãos e irmãs, amigos e amigas, além de seus dois filhos biológicos Raimunda Vieira e Hildeberto Vieira, ela conta que essas foram as piores tristezas de sua vida. No ano de 2012, dona Senhorinha sofreu um princípio de AVC e precisou ser conduzida até a capital do Acre, Rio Branco, na ocasião ela perdeu parte de suas faculdades mentais e para o médico que a consultou era quase um milagre que ela escapasse daquela doença, mas para a surpresa de todos em menos de uma semana ela estava de volta e sem nenhuma sequela.