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segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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Dólar abre perto da estabilidade e Bolsa recua com Focus e Oriente Médio no radar

dólar oscila perto da estabilidade nesta segunda-feira (3), enquanto os investidores acompanham a divulgação do novo boletim Focus e iniciam a semana à espera da decisão de política monetária do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), marcada para esta quarta-feira (5).

Às 10h46, a moeda norte-americana caía 0,02%, cotada a R$ 5,067.

No boletim Focus divulgado nesta segunda, os economistas reduziram pela primeira vez desde março a previsão para a taxa básica de juros ao fim deste ano. Agora, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 13,75%, queda de 0,25 ponto percentual em relação ao levantamento da semana passada.

Na sexta-feira (31), o Ibovespa avançou 0,47%, aos 177.999 pontos, em um pregão marcado por problemas operacionais na B3, que atrasaram em quase três horas o início das negociações.

Nesta segunda, às 10h45, o Ibovespa caía 0,49%, aos 177.118 pontos, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, entre as maiores baixas do índice.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o desempenho da Bolsa reflete o forte recuo do petróleo. Para o especialista, a queda da commodity melhora o humor dos mercados globais ao reduzir a percepção de risco geopolítico e aliviar as pressões inflacionárias, mas tende a pesar sobre os papéis da Petrobras, limitando um desempenho mais positivo do Ibovespa.

Às 10h47, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 83,02, em queda de 7,88%.

Durante o fim de semana, o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, afirmou que o país suspendeu novos ataques ao Irã em busca de um acordo rápido para interromper as ambições nucleares de Teerã e reabrir o estreito de Hormuz.

Segundo Trump, o Irã e outros países do Oriente Médio pediram pausa nas ofensivas para concluir o acordo que levaria à reabertura “imediata, completa e total” do estreito e ao “fim da ameaça nuclear iraniana”. A declaração foi publicada na rede Truth Social após uma ligação com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, aliado dos EUA.

Na agenda doméstica, Araújo afirma que a reunião do Copom concentra as atenções nesta semana, com o mercado em busca de sinais sobre o tom da autoridade monetária diante de uma inflação ainda sensível.

A temporada de balanços também deve adicionar volatilidade aos negócios, com resultados de ItaúBradesco e Petrobras entre os principais destaques.

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o Relatório Focus desta segunda trouxe uma revisão importante nas expectativas para a economia brasileira. A projeção para a inflação de 2026 caiu de 5,12% para 5,03%, enquanto a estimativa para a Selic no fim do próximo ano recuou de 14,00% para 13,75%.

“A combinação reforça a percepção de que o processo de desinflação continua em andamento e abre espaço para uma política monetária menos restritiva”, afirma a especialista.

Ela ressalta, porém, que a projeção para o PIB de 2026 permaneceu em 1,99%, enquanto a de 2027 foi revisada de 1,60% para 1,57%.

Com a reunião do Copom marcada para esta quarta-feira, a revisão da Selic no Focus reforça a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual, embora acompanhado de um discurso ainda cauteloso diante do cenário fiscal e eleitoral.

No mercado de juros futuros, os contratos abriram o dia em queda em quase toda a curva, refletindo o recuo do petróleo. Por volta das 11h, o DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,800%, com recuo de 0,06 ponto percentual. Já o contrato para janeiro de 2035 era negociado a 14,520%, em queda de 0,12 ponto percentual.

Nos Estados Unidos, o rendimento da Treasury de dez anos recuava 0,99%, para 4,68%.

Os investidores também acompanham a nova pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (3), que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41% das intenções de voto em um eventual primeiro turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 37%.

A diferença entre os dois caiu de 9 para 4 pontos percentuais em relação ao levantamento da semana passada, quando Lula tinha 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 33%.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO