O dólar abriu em leve alta nesta sexta-feira (31), enquanto os investidores acompanham a temporada de balanços corporativos e mantêm no radar os indicadores econômicos divulgados nos Estados Unidos na véspera, que reforçaram as expectativas de que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) possa adotar uma política monetária menos restritiva nos próximos meses.
Às 10h02, a moeda norte-americana subia 0,15%, cotada a R$ 5,069.
Nesta sexta, a B3 informou um atraso na abertura da negociação de ativos. Segundo a bolsa, os ativos cambiais e os demais ativos permanecerão em leilão até que a dificuldade seja resolvida.
“Em decorrência do atraso no envio dos arquivos e na abertura da Câmara B3, previamente comunicados, excepcionalmente no pregão de Listados de hoje, postergaremos a abertura da negociação dos contratos Mini Índice (WIN) e Mini Dólar (WDO) e todos os demais ativos e contratos permanecerão em leilão até que tenhamos concluído a disponibilização dos arquivos da clearing para o mercado”, informou a B3 em comunicado aos clientes.
Na véspera, o dólar fechou em forte queda, cotado a R$ 5,061. Já o Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,88%, aos 177.158 pontos.
A desvalorização da moeda americana refletiu a divulgação de dados mais fracos da economia dos Estados Unidos, como o crescimento de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre, abaixo da expectativa de 2,1%, e um resultado mais moderado do PCE, indicador de inflação preferido do Fed.
O índice acumulou alta de 3,7% nos 12 meses encerrados em junho, acima da meta de 2% da autoridade monetária, mas registrou deflação de 0,1% na comparação com maio.
Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, diz que os indicadores econômicos divulgados nesta quinta-feira reforçaram uma leitura mais “dovish” do mercado. Segundo ele, apesar de a decisão do Fed ter evidenciado divergências entre os dirigentes, com alguns votos favoráveis à alta dos juros, os dados aumentaram a percepção de que o banco central poderá manter a taxa ou iniciar um ciclo de cortes antes do que se esperava.
Além disso, segundo Rebecca Nossig, surgiram nesta quinta-feira suspeitas de intervenção do governo japonês no mercado de câmbio, com uma provável venda de dólares para conter a desvalorização do iene. Na avaliação da estrategista, o movimento ampliou a fraqueza da moeda americana e favoreceu divisas de países emergentes.
Segundo Marcos Vinícius Oliveira, economista da ZIIN Investimentos, o desempenho da Bolsa na véspera foi favorecido por indicadores econômicos domésticos.
Entre os destaques, está o IGP-M, que registrou deflação de 1,16% em julho, mais intensa do que a expectativa do mercado, de queda de 1,09%. Já a taxa de desemprego permaneceu em 5,4%, em linha com as projeções.
O real também foi favorecido pela queda dos preços do petróleo, após dias de alta provocada pelas tensões no Oriente Médio. Ao fim do pregão, o barril do petróleo Brent recuava 1,75%, cotado a US$ 89.
Nos Estados Unidos, Oliveira destaca o desempenho do setor de tecnologia. Segundo o economista, a Microsoft surpreendeu positivamente o mercado ao divulgar resultados acima das expectativas, impulsionados pelo crescimento da receita com computação em nuvem e pelos investimentos em inteligência artificial. A companhia informou receita de US$ 90 bilhões no segundo trimestre, alta de 18% em relação ao mesmo período do ano anterior e acima da projeção dos analistas, de US$ 87,7 bilhões.
Por outro lado, o especialista afirma que a Meta pressionou o setor após sinalizar um aumento relevante dos investimentos em inteligência artificial, o que pressionou as ações da companhia. “É um resumo de como o mercado está tratando a inteligência artificial agora. Ela premia quem já mostra retorno e pune quem só mostra gasto”, diz Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue.
Na última quarta (29), o Fed manteve a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75% pela quinta reunião consecutiva. Em entrevista após a decisão, Kevin Warsh, presidente do Fed, voltou a defender a meta de inflação de 2% e admitiu desconforto com os preços ainda elevados nos EUA. “Não existe uma meta implícita mais branda. Existe apenas uma meta, e ela é de 2%”, afirmou.
No entanto, Warsh não detalhou quais condições poderiam levar o banco central a voltar a elevar os juros e reiterou que as próximas decisões de política monetária continuarão sendo baseadas nos dados econômicos.
Como a inflação medida pelo PCE permanece acima da meta do Fed, o mercado ainda atribui uma probabilidade relevante de alta dos juros na reunião de setembro. Segundo o FedWatch, do CME Group, 63,2% dos investidores projetam que a taxa será elevada para a faixa de 3,75% a 4%, enquanto 36,8% esperam que os juros sejam mantidos no nível atual.
No Brasil, os investidores também seguem atentos à próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, marcada para os dias 4 e 5 de agosto, quando será definida a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
Na última terça-feira (28), o IBGE divulgou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial do país, desacelerou para 0,06% em julho, abaixo da expectativa do mercado, de 0,22%. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 4,52%.
Para Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, o resultado “reforça a projeção de corte de juros pelo Copom na reunião da próxima semana”.
Caso o corte na Selic se confirme, cairá a atratividade da estratégia “carry trade” —em que investidores captam recursos em economias com taxas baixas, como a americana ou a japonesa, para aplicá-los em mercados com juros mais alto, caso do Brasil, se beneficiando dessa diferença.
FONTE: FOLHA DE S. PAULO


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