O último episódio do Submundo Podcast viralizou nas redes sociais e causou revolta em muitas internautas acreanos. Durante o programa, os apresentadores Pedro Moreira, Geovany Calegario e Maykon Jones passam um “trote” para o digital influencer de Sena Madureira, Lucas Lima.
Na ligação, os apresentadores convidam Lucas para participar de uma viagem com o digital influencer Pablo Charife. “Você vai cobrir, perguntar, dar um selinho [beijo] em cada um. Coisas que você sempre faz, como você já é homossexual”, diz Maykon, que ao final chama Lucas de “gayzinho”.

Na manhã desta sexta-feira, 4, Lucas Lima prestou um boletim de ocorrência contra os apresentadores pelo crime de homofobia. Segundo o promotor de Justiça, Tales Tranin, o Ministério Público do Acre (MP-AC) investiga o caso.
“O MP instalou uma investigação para averiguar a suposta prática de racismo homofóbico. Eu conversei com a vítima, que será ouvida na terça-feira (8). Vamos investigar as pessoas envolvidas para saber se houve ou não a prática de racismo homofóbico”, explica o promotor de Justiça.
Mencionado no podcast, o digital influencer Pablo Charife tem prestado todo o apoio a Lucas. “O Lucas conta com meu apoio, com minha voz e com minha plataforma para divulgar mais o que ele quiser”, disse.

A Defensoria Pública do Estado também está acompanhando o caso. “Faremos o atendimento do Lucas na segunda-feira”, realtou a ouvidora da DPE, Solene Costa.
Expulso de casa
Após a repercussão e exposição de sua sexualidade, Lucas Lima foi expulso de casa pelo pai. “Estou sendo acolhido pela minha mãe”, contou o influencer. A mãe Neusa Silva mora em Rondônia, mas, com frequência, visita o filho e a família no Acre.
“Está sendo bem difícil passar por isso, é uma situação bem constrangedora, principalmente, para ele, que é a vítima. Por isso, reforço a importância da denúncia, não fiquem calados, denunciem, busquem seus direitos, para que outras pessoas não passem por isso”, endossou Neusa.
O que diz a lei?

É crime “praticar, induzir, ou incitar a discriminação ou preconceito” em razão da orientação sexual de qualquer pessoa. A pena prevista varia entre 1 a 3 anos, mais multa, e pode subir de 2 a 5 anos se houver divulgação do ato homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social.
o Brasil se tornou o 43º país a criminalizar a homofobia, segundo o relatório “Homofobia Patrocinada pelo Estado”, feito pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais (Ilga).


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