Rio Branco é uma cidade relativamente nova. Vai completar 137 anos em dezembro. Até pouco tempo, sequer havia uma ligação terrestre com o restante do País. Na verdade, até havia, mas o trânsito de veículos era praticamente impossível. Somente na década de 1990 que a rodovia BR-364 foi pavimentada. Antes, nos períodos de chuva, como diz o dito popular, nem tatu de chuteira trafegava.
E Rio Branco, a capital do Acre, cresceu meio rural, meio urbana. E a prova disso é que, vez por outra, os carros têm que disputar espaço com carroças.
E se o leitor tem esbarrado com alguma nos últimos dias, possivelmente é Marcelo Oliveira, 47 anos, e seu cavalo Diamante. A dupla é comumente vista na região do Bosque, José Augusto e até no centro. Diamante é um cavalo de três anos que puxa a carroça carregada de estrume e paú que Marcelo vende para aqueles que têm hortas ou jardins em seus quintais.
O produto que vende recolhe em algumas fazendas e chácaras da região do bairro Apolônio Sales, que ficam próximas à sua casa. É tudo grátis, afirma ele. E Marcelo traz para a cidade com a ajuda do seu amigo Diamante.
“A gente traz umas 15 ou 20 sacos de estrume e paú e eu vendo tudo”, afirma. “Dá pra ganhar uns cinquenta ou cem reais por dia”, acrescenta.
Não fosse Diamante, Marcelo, não conseguiria ganhar nada, já que faz tempo procura um emprego e não consegue.
“Eu comprei ele quando era novinho por quatrocentos reais. Hoje, ele vale mais de seis mil, mas não vendo por nada, já que é quem me ajuda a ganhar a vida. O Diamante é meu amigo!”
Tudo começou quando ele, Marcelo, estava há um bom tempo sem conseguir trabalho algum. Juntou um pouco e conseguiu compra uma carroça de segunda-mão. Faltava agora um cavalo ou um boi para puxar o veículo. Foi aí que surgiu Diamante na sua vida.
“Eu juntei um dinheiro e fui logo comprar o Diamante. Agora estamos aqui lutando junto todos os dias.”
O estrume é uma mistura composta do dejeto de animais, geralmente de gado, misturado com palha, folhas, ramos ou outro produto vegetal, e um pouco de barro do local onde é colhido. O estrume é um adubo muito apreciado na região pelo seu baixo custo e eficiência na fertilização de plantas diversas. Já o paú é um composto orgânico produzido a partir da madeira apodrecida que se fermenta ao solo e se torna adubo a partir da ação de minhocas, bactérias e outros tipos de vermes. Assim como o estrume, o paú é muito apreciado no Acre.




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