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terça-feira, 30 de junho de 2026
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Dia Internacional da Mulher: a história de mulheres reais

ABIGAIL SUNAMITA

Cada mulher tem uma história de vida que revela muito mais do que achamos que podemos ver. Por trás de tantos semblantes femininos no Estado reside luta, força e beleza a ser mostrada e valorizada. Dentre tantas mulheres que trabalham fora, comandam lares, superam violências, barreiras e obstáculos mantendo a alegria e a esperança, trazemos aqui a história duas fortes guerreiras em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta segunda-feira, 8.

Fran, a selecionadora de Castanhas

A presença feminina é predominante em parte dos trabalhos manuais da produção da castanha-do-brasil, antiga castanha-do-pará. E fomos conhecer de pertinho a história de umas das colaboradoras da Cooperacre, que é uma cooperativa em que muitas mulheres são responsáveis pela quebra da castanha. Além de funções de extração do óleo, elas também fazem a limpeza das amêndoas e as classificam.

“O meu trabalho com castanha me dar dignidade e meu pão de cada dia”, explica, Francisca.

Terça-feira, dia 2 de marco de 2021 fomos até o Segundo Distrito de Rio Branco, lá no Parque Industrial, local um pouco afastado do centro comercial da capital.

‘Fran’, como ela costuma ser chamada, é selecionadora há mais de 12 anos em uma cooperativa de castanhas no estado do Acre.

E lá estava ela meio tímida, olhando de um lado para outro… o seu pé balançava mais que tudo, mas assim que o microfone foi ligado juntamente com as câmeras ela começou a relatar a sua linda história de vida.

Dona Francisca da Silva é uma entre milhares de mulheres brasileiras que são mães solteiras e que não deixam de serem guerreiras e batalhadoras.

História de Vida

Ela que nasceu no município Senador Guiomard, uma cidade com um pouco mais de 23 mil habitantes, distante 25 quilômetros de Rio Branco, viveu ali à base de pão de milho, bodó, e muito amor envolvido. De uma família humilde, começou a trabalhar muito cedo. Seu pai era seringueiro e pedreiro. Durante muito tempo, Fran passou a acompanhar no batente. Fazia massa, carregava tijolos, exercia a famosa função de ‘orelha seca’ como chamamos aqui no Acre.

“Eu nunca tive vergonha de trabalhar, sempre gostei de colocar a mão na massa, e acredito que as pessoas que são assim como eu, que possui uma história mais humilde, costuma ter mais fé na vida e dar valor as coisas, sabe?”

Aos 24 anos, teve a oportunidade de conhecer o trabalho feito com a castanha e se encontrou na profissão. Durante toda esta trajetória Francisca afirma que foi de muito aprendizado e luta.

Hoje com 36 anos, é selecionadora na Cooperacre, uma das maiores cooperativas do ramo da agropecuária aqui no Estado. “Todos os dias eu levanto cedo, né? Chego aqui e visto meu manto sagrado: bota, calça, luvas, touca e máscara, depois disso que começo com o meu trabalho. Minha função é selecionar toda a castanha. Aqui a gente separar as castanhas por tamanho, largura e diâmetro pra ficar bem ajustada dentro pacote”

Algumas regras devem ser seguidas para o melhor processamento das castanhas. Fran relata que não pode ter unha grande, não pode usar batom, acessórios nem perfume, tudo isso para ter um total zelo pelas castanhas que ali são produzidas.

“Eu sou apaixonada na minha profissão. Eu já tive depressão, sabe? E isso tudo pra mim é uma terapia. Chegar ao meu trabalho ver as minhas colegas, e o nosso trabalho é muito sério, porque é através das nossas mãos que chegam até o cliente, o nosso produto.”

Fran já trabalha neste ramo a muito tempo, e as vezes ela afirma que precisa conviver com alguns comentários, relacionado a profissão que escolheu atuar, afinal, nem todo mundo está preparado para abdicar algumas coisas.

“Às vezes as pessoas chegam até minha pessoa e perguntam porque eu continuo trabalhando com castanhas, eu simplesmente respondo: ‘porque é o que eu amo fazer’. Eu já fui até promovida para gerente de produção e eu sou grata demais pela minha profissão de Selecionadora de Castanha. Aqui eu sustento minha família e tenho minhas coisas. Casa, transporte. E é através do cooperativismo que eu tiro o sustento da minha família”, explica, Francisca.

Encorajamento

Neste dia da mulher eu gostaria de falar para todas as mulheres deste Brasil, e do meu querido Acre, que vocês possam lutar pelos seus sonhos e objetivos. Quer estudar? ESTUDE. Quer trabalhar? TRABALHE. Seja uma mulher independente. LUTE. Porque, olha… tem tanta mulher trabalhadora e guerreira que é impedida de lutar pelos seus objetivos, e isso é uma coisa muito triste. Eu sou independente e tenho orgulho da minha profissão, afinal meu trabalho me oferece dignidade e o meu pão de cada dia.