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terça-feira, 21 de julho de 2026
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Deputados estaduais debatem possível privatização dos Correios e condições de trabalho dos servidores da estatal

Em sessão temática, a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) debateu ontem, 19, sobre a possível privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e as condições de trabalho dos servidores da estatal. O encontro aconteceu a pedido do deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) após a categoria ter iniciado uma série de protestos, dentre eles, uma greve.

Ao dar início a sessão, Magalhães destacou a importância de explanar o assunto.  “Estamos aqui para debater e oferecer apoio a essa empresa tão importante. No momento em que eu soube que os Correios estão no topo da lista de companhias que possivelmente serão privatizadas me entristeci. O Brasil vive um momento delicado, uma esquizofrenia geral. Se você voltar menos de uma década vai perceber que temas como esse ou da retirada de verbas das universidades jamais passariam batido, pois 70% dos detentores de mandato fariam uma defesa imediata. Mas tem se implementado uma visão dogmática retrógrada na tentativa de destruir o olhar de defesa do país”, disse Magalhães.

O deputado Daniel Zen (PT), ao dispor da fala, frisou que “essa não é uma luta isolada, os Correios estão na berlinda agora, mas as distribuidoras de energia elétrica também estão na fila. Verdadeiros patrimônios do povo brasileiro estão sendo privatizados. Sendo parlamentar de um partido de esquerda não faço recortes ideológicos, quando uma medida traz benefício para o povo nós acatamos sim, mas há determinados setores que dizem respeito à soberania nacional. ”

Ao parabenizar Edvaldo por suscitar o debate, o deputado Jonas Lima (PT) classificou como cruel a decisão do governo federal em privatizar a estatal.  “Quero, primeiramente, parabenizar o deputado Edvaldo por encampar essa luta, por se unir a esses trabalhadores contra a privatização dos Correios. Esse movimento de privatizar as empresas brasileiras se iniciou desde o governo de Michel Temer, um movimento cruel demais, descabido. Gente, nós temos que acordar, o povo brasileiro precisa acordar. Essa instituição é importante demais, não pode ser privatizada de jeito nenhum. Contem comigo”.

Já a deputada Antônia Sales (MDB) pontuou que os Correios “são um setor extremamente importante para a nossa sociedade e merece nosso apoio. Os Correios no Brasil tem 356 anos de existência, portanto, acompanha a história deste país. O governo federal não sustenta essa empresa, então por que isso? Querem apenas se desfazer da história e não podemos permitir que isso aconteça.”

Para o procurador-geral adjunto do Ministério Público do Estado (MPE), Sammy Barbosa, a privatização dos Correios é um assunto de extrema importância e que deve ser debatido com a população. “Essa empresa tem uma atuação importante em todo Brasil levando em consideração a excelência dos serviços prestados ao povo brasileiro. Nós estamos irmanados nesta luta contra a privatização e pela valorização dos trabalhadores. Privatizar é injusto demais”, ressaltou.

Campanha “Todos Pelos Correios”

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Susy Cristiny da Costa, falou da campanha “Todos Pelos Correios”, que está sendo realizada no Estado pelo Sindicato dos Correios e Telégrafos do Acre (Sintec-Ac). A campanha que é contra a possível privatização da empresa, pretende reunir R$ 1 milhão de assinaturas em todo o país contra o processo.

A arrecadação das assinaturas começou esta semana em Rio Branco. Na próxima semana, o sindicato vai para o interior do Estado mobilizar e alertar a população. Susy Cristiny frisou que a ideia de vender os Correios ainda não foi colocada em prática, porque depende do Congresso Nacional. “É justamente no Congresso Nacional que queremos chegar. Todos os sindicatos estão mobilizados e empenhados para alcançar a meta de assinaturas para entregar, no próximo mês, o documento aos parlamentares em Brasília. Não podemos permitir que uma empresa importante que tem mais de 356 anos de história seja vendida”, disse.

A presidente do sindicato agradeceu ainda ao deputado Edvaldo Magalhães pela realização da sessão temática. “Não poderia deixar de agradecer ao deputado Edvaldo por esta sessão, por esta oportunidade que estamos tendo de informar a verdade para a população, de desmistificar algumas coisas que são faladas. Os Correios exercem um papel de integração e soberania nacional, é a única instituição que se faz presente em todo o território brasileiro e que não recebe nenhum real do governo federal. E mais, o nosso efetivo está diminuindo e o serviço aumentando. Nós precisamos reverter essa realidade”, salientou.

Além das autoridades representando os Poderes, também participaram da Sessão Temática representantes da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (FENTECT), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Sindicato dos Urbanitários do Acre.

Greve interrompida

Os funcionários dos Correios do Acre, que estavam em greve desde o dia dez de setembro, retornaram ao trabalho na última quarta-feira, 18. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Acre (Sintect-AC), eles suspenderam a paralisação até o dia dois de outubro, quando está marcado o julgamento do dissídio coletivo.

A categoria é contra a privatização da estatal, que foi incluída em agosto no programa de privatizações do governo federal, além de reivindicar melhorias salariais e manutenção do acordo coletivo.

A decisão de suspender a greve ocorreu após assembleia realizada na terça-feira, 17. Na última quinta-feira, 12, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) propôs a suspensão da greve até o dia dois de outubro, o que foi acatado pela categoria em todo país.