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domingo, 5 de julho de 2026
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Delegado Rêmulo Diniz sugere que Polícia Federal realize as investigações

Delegado Rêmulo Diniz sugere que Polícia Federal realize as investigações

Com o auditório lotado de policiais civis, o delegado Rêmulo Diniz, que foi afastado do cargo de secretário de Polícia Civil, negou em coletiva de imprensa na manhã de quinta-feira, 30, que tenha envolvimento com crime organizado e que tão pouco é investigado, e disse não temer investigação.

“Não tenho medo de investigação, não tenho medo de que seja citado, depois que analisei os autos, constatei que inexiste qualquer inquérito policial, procedimento administrativo e disciplinar, denúncia e ação penal em que eu figure como parte” garantiu Diniz.

Rêmulo disse veio a publicar afirmar que não foi intimado. “Convoquei essa coletiva de imprensa, uma vez que meu nome foi vinculado a nível nacional, em notícias e blogs como sendo suposto membro de facção criminosa. Venho aqui a público demostrar que só tive acesso aos autos ontem, nunca fui chamado, intimado ou mesmo ouvido pelo Ministério Público, pela Polícia Civil ou pelo Judiciário”, afirmou Diniz.

Briga de interesses

Segundo Rêmulo, as acusações se deram a partir do momento que ele foi anunciado como indicado ao cargo de secretário de estado de Polícia Civil, em uma tentativa de impedir sua nomeação.

“O que aconteceu foi uma ação deliberada, com a intenção de tentar de início impedir que eu assumisse a secretaria de Polícia Civil e depois, com isso derrubar meu posto, uma vez que há intenções escusas”, rebateu.

Para o delegado, as explicações dele, se confirmam, ao fazer um comparativo entre as datas de fechamento do processo investigativo contra os evolvidos na operação sicário e o pedido de inclusão de novas provas, após sua indicação ao cargo.

“O inquérito policial foi concluído com todas as provas que vinham sendo analisadas de maio até o dia 28 de novembro, e o meu nome nunca foi citado em nada. No dia 17 de dezembro quando eu já era indicado secretário foi juntado um pedido de compartilhamento de prova”, afirmou.

Ainda nas palavras do secretário, “nesse pedido não foi juntando qualquer prova de ligação minha com membro de facções criminosas ou com o tenente Farias que foi preso, que tenha tido qualquer interesse de facção criminosa ou que tenha auxiliado, esse pedido foi negado pela justiça”, explicou.

Pedido de junção de provas e descumprimento de ordem judicial

Rêmulo apresentou durante a coletiva, um trecho dos autos do processo, nele há considerações do juiz responsável pelo caso, citando certa estranheza com relação ao pedido de ajuntamento de provas.

“O juiz trouxe nas suas palavras, que está na sentença na folha 325 dos autos, que causava estranheza aquele pedido, uma vez que atrapalhou o andamento do processo e não trouxe qualquer elemento que tivesse vinculação com a operação sicário. Isto demonstra que aquele peticionamento apenas teve como interesse vincular meu nome a uma investigação de grande cunho”, destacou.

Segundo Diniz, o pedido de compartilhamento de provas foi protocolado no dia 17 de dezembro por um delegado, sem citar nomes, a solicitação foi negada pelo juiz titular da causa, mesmo assim os autos do processo foi encaminhado para Corregedoria da Polícia Civil.

“Apesar da negativa, está mesma autoridade policial, em descumprimento a ordem judicial, encaminhou a corregedoria todos os autos no dia 30 de dezembro de 2018, porém o documento foi arquivado por ilegalidade da conduta do respectivo delegado”, disse Rêmulo.

Na ocasião, o secretário fez a leitura de um trecho das considerações do juiz, que segundo ele está fixada na página 325 dos autos do processo em que ele afirma ter estranhado o pedido.

“O compartilhamento das provas relacionadas ao conteúdo das chamadas (telefônicas) efetuadas entre o representado tenente Farias e o delegado Rêmulo Diniz é de causar estranheza a formulação da pretensão em tal sentido em meio ao já conturbado cenário probatório”.

O secretário continuou com a leitura. “Frisa-se que a própria autoridade policial que pediu inquérito, não referiu a prática de crimes para justificar a remessa da questão ao campo final”, destacou.

Ligação com o caso Tenente Farias

O tenente da Polícia Militar (PM), com atuação no Comando de Operações Especiais (Bope) Josemar Barbosa de Farias, foi preso no dia 27 de dezembro de 2018, durante a Operação Sicário, da PC, que visava prender membros do crime organizado, principalmente, os seus executores.

Entre as acusações que pesam sobre o policial que era considerado o número dois na escala hierárquica do Bope esta: O favorecimento a uma organização criminosa com atuação no estado, proteção do grupo contra ataques de facções rivais e até mesmo de ações policias e entre outros.

Farias foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MP/AC) pelos crimes de prevaricação (crime cometido por funcionário público), por promoção de organização criminosa, corrupção passiva e peculato (desvio de recursos públicos).

Nas acusações feita pelo portal de notícias, o nome do secretário Rêmulo Diniz é associado ao do tenente Farias. Diniz negou que manteve outro tipo de conversa com o PM que não fosse de cunho profissional.

“Tenente Farias era o comandante do serviço reservado do Bope, um batalhão que eu respeito e que tem trabalhos prestados para todos o estado do Acre, nunca tive ligação com faccionado, não atuo nem com informantes”, garantiu.

Ainda sobre o assunto ele disse: “Todos os fatos levados aos autos foram puro e simplesmente querendo me vincular ao tenente Farias, jamais a faccionados, eu tinha um trato profissional, o tenente representava a polícia militar”, lembrou.

Rêmulo sugeriu que as investigações sejam feitas pela PF

O delegado afirmou que ele mesmo pediu afastamento temporário até que os fatos sejam esclarecidos e que sugeriu que caso haja investigação, esta seja feita pela Polícia Federal no Acre.

“Solicitei juntamente com o governo do Estado o meu afastamento, para que tudo fosse apurado, jamais iria macular a imagem do governo, solicitei inclusive, que as investigações que possam ser tomadas sejam feitas pela Polícia Federal para que se afaste de qualquer vínculo ou influência que meu nome possa acarretar” destacou.

O Jornal Opinião entrou com a Polícia Federal e fomos informados pela assessoria de comunicação da PF que até o momento não houve pedido de investigação relacionado ao assunto.

Diniz afirmou que irá buscar reparação

Com relação ao vazamento de informações Rêmulo afirmou que irá tomar as medidas judiciais cabíveis. “Farei as tratativas judiciais tanto para o pedido de espaço de resposta, nos meios de comunicação que tiveram meu nome divulgados, tomarei a cautela de aguardar toda a conclusão”, disse.

Indagado se se sentia em condições de retornar ao cargo de secretário, ele respondeu: “Me sinto totalmente confortável em retornar, o afastamento foi pedido por mim e acolhido pelo governador e o vice, e é uma forma que eu tinha de demostrar que estou as disposição e que não quero vincular qualquer tipo de acusação a gestão atual”, salientou.

Para concluir Diniz, disse: “A Polícia Civil e a Polícia Militar estará aqui independente de quem sentar na cadeira de secretário, e estará servindo a população com honradez e justiça”, o secretário foi aplaudido de pé pelos colegas de farda que estavam presente.