Defesa de Gladson cobra investigação contra vazamento de informações sigilosas

A defesa do governador aponta que há uma demonstração clara de vazamento orquestrado, com o objetivo de influenciar no caso.

A defesa do governador Gladson Cameli (Progressista) protocolou junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de abertura de investigação a fim de identificar os responsáveis pelo vazamento de informações sigilosas da Operação Ptolomeu, da Polícia Federal, que investiga supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à membros do Governo do Estado do Acre.

A defesa do governador aponta que há uma demonstração clara de vazamento orquestrado, com o objetivo de influenciar no caso. Com isso, os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso pedem à ministra Nancy Andrighi, relatora do inquérito, que seja iniciada, imediatamente, apuração de prática do crime de violação de sigilo funcional (artigo 325 do Código Penal).

Os advogados apontam ainda para o fato de que textos com base nesses elementos sigilosos reproduzem dados da investigação que estão distorcidos, levando a erro a opinião pública e mostrando o viés da investigação, baseada em números que não reproduzem a real movimentação financeira do governador e de sua família.

Por se tratar de período de recesso e pela urgência da demanda, a defesa pede que a petição seja examinada pelo presidente da corte, ministro Humberto Martins.

O inquérito 1475/DF tramita em segredo de Justiça, e não há denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra o governador Cameli.

A operação

A 1ª fase da operação ocorreu em 16 de dezembro, com o cumprimento de 41 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão. O apartamento do governador do estado, Gladson Cameli (PP) foi um dos locais onde as buscas foram realizadas. Além disso, os policiais estiveram no escritório do governador; Palácio Rio Branco e Casa Civil.

A 2ª fase da operação ocorreu em 22 de dezembro. A Polícia Federal identificou um conluio entre servidores públicos na prática de atos direcionados à obstrução da investigação, na tentativa de destruição de provas essenciais para a continuidade das apurações.