Cresce casos de caxumba registrados nas unidades de saúde em Rio Branco

Dores na região do pescoço e febre são alguns dos sintomas que muitos pacientes tem se queixado, ao procurar as unidades de pronto atendimento em Rio Branco. Nos últimos dias a Capital, vem registrando um surto de caxumba.

A parotidite infecciosa, popularmente conhecida como caxumba ou papeira é uma inflamação de uma ou mais glândulas salivares. A doença é viral causada pelo paramyxovirus, o contágio acontece através do contato entre pessoas infectadas.

Somente na UPA Franco Silva, no bairro Sobral, foram notificados 102 casos de caxumba do dia 1° até o dia 21 de Janeiro deste ano. Em dezembro do ano passado, foram registrados 95 casos durante todo o mês.

Os casos tem chegado cada vez mais nas unidades de saúde. O médico Eduardo Formiga, atende na UPA do 2° Distrito, segundo o profissional houve um aumento considerável do número de pacientes com sintomas da doença, ele tem atendido uma média de 5 a 10 casos por plantão.

“É uma doença comum geralmente na infância, mas hoje está dando um surto, que a procura nas unidade de pronto atendimento está grande, tem plantões meus que eu chego atender dez pacientes por dia”, conta.

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Sintomas e cuidados

A parotidite, causa além do inchaço da glândulas salivares, geralmente a parótida e, às vezes, glândulas sublinguais ou submandibulares, também dores e febre. A transmissão ocorre por via aérea, disseminação de gotículas, ou por contato direto com saliva de pessoas infectadas.

Segundo o Ministério da Saúde, o período de incubação do vírus é de 12 a 25 dias, sendo, em média, de 16 a 18 dias. O período de transmissibilidade varia entre 6 a 7 dias antes das manifestações clínicas até 09 dias após o surgimento dos sintomas. 

“É uma doença viral que a pessoa tem tomar muito cuidado, existem algumas características que as pessoas pensam que é mito. Os homens chegam na unidade preocupados, doutor, é verdade que a caxumba desce? Não é totalmente mentira. Porque essa descida para região do testículos é uma das complicações da doença”, responde Eduardo.

Segundo o Ministério da Saúde, a orquite, que é uma inflamação aguda ou crônica dos testículos (uni ou bilateral) que, se não tratada adequadamente ou a tempo, pode levar à impotência ou à esterilidade. 

De acordo com o médico, quando isso ocorre, o paciente pode ficar infértil. “Quando isso acontece pode levar a infertilidade, tanto no homem, quanto na mulher. Por isso é muito importante, sentiu sintomas como: Dores no pescoço, na região abaixo da orelha, procure um médico”, recomenda.

Para evitar maiores problemas ocasionadas pela patologia, o médico destaca.” É uma doença que requer repouso absoluto, por isso, nos primeiros sintomas procure um médico, pega um atestado, recebe a medicação adequada e repouso, o tratamento é basicamente isso, antiflamatório e repouso”, alerta.

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Baixa cobertura vacinal pode ser a causa do surto

Segundo relatório enviado pela secretaria estadual de saúde, em 2018 foram aplicadas 44.404 doses aplicadas em pessoas de 1 a 29 anos. A meta populacional nesta faixa etária era de 438.329. E 2.077 doses aplicadas de 30 a 49 anos com meta de 175.206 pessoas a serem vacinadas.

De acordo com os dados apresentados pela Sesacre, durante todo o ano de 2018, foi cumprido apenas 10,13% da cobertura para o grupo etário de 1 a 29 anos de idade. O grupo de pessoas com idade entre 30 a 49 anos, o alcance foi ainda menor, apenas 1,18%.

Tabela – Cobertura Vacinal de Janeiro a Dezembro de 2018 no Estado do Acre, distribuído por grupos etários, doses e meta populacional.

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