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segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Covid-19 deixa 3.869 mortos em 24 horas, no dia mais letal da pandemia no Brasil

Pelo segundo dia consecutivo o Brasil registra recorde de mortes por covid-19. Foram 3.869 vítimas em 24 horas. Com isso, o país supera a marca de 320 mil mortes. Desde o início da pandemia, em março de 2020, foram 321.515 vidas perdidas para o vírus. Assim, mesmo sem contar a ampla subnotificação, o Brasil deve retomar até amanhã o posto de segundo país com mais mortes, atrás apenas dos Estados Unidos.

Na última semana, o México havia passado o Brasil, em uma recontagem de vítimas no país. O governo local resolveu admitir que as mortes em excesso registradas, mesmo sem realização de testes para a covid-19, seriam relacionadas à pandemia. Caso o Brasil fizesse o mesmo movimento, seriam mais de 410 mil mortos. Isso, de acordo com cálculos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), a partir de estimativas conservadoras.

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Também nas últimas 24 horas, houve o registro de um número elevado de novos infectados. Esse aspecto revela que a pandemia segue descontrolada no Brasil, como afirmam institutos de referência para a covid-19. E está assim desde o fim do ano passado. Este avanço resulta no atual padrão elevado de mortes diárias, com consecutivo colapso do sistema de Saúde do país. Nas palavras da Fiocruz, trata-se da “maior crise sanitária e hospitalar da história”.

Foram 90.638 novos casos hoje (31). Com isso, o país chega a 12.748.787 pessoas contaminadas. Em relação à média diária de casos e mortes, os dados do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) revalidam a sentença de que este é o pior momento, com folga, do surto no Brasil. Em média, por dia nos últimos sete dias, morreram 2.977 pessoas e se infectaram 75.616.

Curvas epidemiológicas médias de casos e mortes diárias. Fonte: Conass

Sem mudança

Cientistas cravam que grande parte das mortes por covid-19 no Brasil seriam evitáveis, bem como os prejuízos econômicos poderiam ser mitigados. Isso, caso o governo federal, comandado por Jair Bolsonaro, tivesse adotado uma postura de enfrentamento ao vírus. Entretanto, a realidade desde o início da pandemia foi distinta.

Bolsonaro age de forma sistemática para impedir o combate ao coronavírus, bem como dificultou o acesso do país às vacinas, ridicularizou o uso de máscaras, minimizou a doença, e chegou até a dizer “e daí?” para as mortes em escalada.

Após pressão de amplos setores da sociedade, o governo mudou ligeiramente sua postura ao defender a aplicação de vacinas. Bolsonaro era contra a imunização, inclusive divulgando mentiras sobre perigos inexistentes relacionados aos fármacos.

Hoje, no entanto, o presidente voltou a seguir na contramão da ciência e até mesmo de seu novo ministro da Saúde (quarto desde o início da crise), Marcelo Queiroga.

Mesmo dia em que ocorreu a primeira reunião de um comitê de crise formado por Congresso e governo, criado na semana passada. Queiroga, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (DEM-AL), foram unânimes em defender medidas para frear a covid-19, incluindo isolamento social. Mas, minutos depois, Bolsonaro concedeu entrevista coletiva, sem máscara, para atacar governadores que adotam medidas protetivas aos cidadãos, que envolvam distanciamento.

“Não é ficando em casa que nós vamos solucionar este problema”, disse, contrariando mais uma vez a ciência.

Palavra da OMS

Na prática, além de tentar impedir que governadores e prefeitos adotassem medidas para proteger a população, Bolsonaro adotou um discurso único durante toda a pandemia: o da defesa de medicamentos comprovadamente ineficazes contra o vírus, como a cloroquina, a ivermectina e outros compostos do chamado “kit covid”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que já havia descartado a cloroquina após uma série de estudos realizados em todo o mundo, reiterou hoje que não indica a ivermectina. O medicamento é um dos mais comentados em redes bolsonaristas, e de acordo com hospitais como o da Unicamp, já provocou mortes pelo seu consumo em excesso que provoca problemas hepáticos.

“Nossa recomendação é não usar ivermectina para pacientes com covid-19, independentemente do nível de gravidade ou duração dos sintomas”, disse Janet Díaz, chefe da equipe de resposta clínica à covid-19 da OMS.