Essa pergunta é feita por várias pessoas durante esse período de isolamento social, decorrente da pandemia do novo coronavírus (COVID-19).
Segundo o Ministério da Saúde, uma alimentação saudável é aquela que reúne os seguintes atributos: é acessível e não é cara, valoriza a variedade, as preparações alimentares usadas tradicionalmente, é harmônica em quantidade e qualidade, naturalmente colorida e segura sanitariamente.
Sendo assim, uma alimentação saudável é aquela adequada e individualizada para cada ser humano. Uma alimentação que faça sentido para aquela pessoa e que valorize seus hábitos, costumes, crenças, em uma quantidade adequada, com uma qualidade em nutrientes, e com a garantia de ser atendidas as necessidades nutricionais, em relação a macronutrientes e micronutrientes, através da variedade de alimentos. Levando em consideração todos esses fatores, será garantido que todas as funções do organismo vão ser desempenhadas de forma satisfatória, dentre elas a capacidade de resistência e proteção contra agentes patogênicos, como o novo coronavírus.
A composição exata de uma dieta diversificada não pode ser preestabelecida, já que as necessidades podem depender das características individuais de cada um (como idade, sexo, estilo de vida e grau de intensidade física). Porém, em termos gerais podemos citar os 10 passos de uma alimentação saudável, definido pelo Ministério da Saúde:
- Faça pelo menos 3 refeições (café da manhã, almoço e jantar) e dois lanches saudáveis. Não pule refeição.
- Inclua diariamente seis porções do grupo de cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), tubérculos como as batatas e raízes como a macaxeira nas refeições. Dê preferência aos grãos integrais e aos alimentos na sua forma mais natural.
- Coma diariamente pelo menos três porções de legumes e verduras como parte das refeições e três porções ou mais de frutas nas sobremesas e lanches.
- Coma feijão com arroz todos os dias ou, pelo menos, cinco vezes por semana. Esse prato brasileiro é uma combinação completa de proteínas e bom para a saúde.
- Consuma diariamente três porções de leite e derivados e uma porção de carnes, aves, peixes ou ovos.
- Consuma, no máximo, uma porção por dia de óleos vegetais, azeite, manteiga ou margarina. Fique atento aos rótulos dos alimentos e escolha aqueles com menores quantidades de gorduras trans.
- Evite refrigerantes e sucos industrializados, bolos, biscoitos doces e recheados, sobremesas doces e outras guloseimas como regra da alimentação.
- Diminua a quantidade de sal na comida e retire o saleiro da mesa. Evite consumir alimentos industrializados com muito sal (sódio) como hambúrguer, charque, salsicha, temperos prontos, dentre outros.
- Beba pelo menos dois litros (seis a oito copos) de água por dia. Dê preferência ao consumo de água nos intervalos das refeições.
- Torne sua vida mais saudável. Pratique pelo menos 30 minutos de atividade física todos os dias e evite as bebidas alcoólicas e o fumo. Mantenha o peso dentro de limites saudáveis
Dentre esses passos, qual ou quais, são impedidos de serem seguidos durante esse período de quarentena? Por que a preocupação de manter uma alimentação específica apenas nesse momento? Por que tantas mudanças comportamentais, principalmente em relação ao comportamento alimentar?
São perguntas que nos fazem refletir: como está minha relação com a alimentação? O que ela representa no meu dia a dia? Quanto estou conectada nesse momento? Será que o isolamento social me fez prestar atenção, e então, me trouxe um desconforto em relação a isso?
Enfim, desejo que esse período sirva de reflexão para o quanto é importante manter uma alimentação adequada, buscando um equilíbrio entre as percepções de fome e saciedade, tendo como resultado, a sua satisfação. E lembre: fique em casa!
Profa. Dra. Camyla Rocha de Carvalho Guedine
Nutricionista (UFPB)
Doutora em Ciências da Nutrição (UFPB/USP)
Professora Adjunta da Universidade Federal do Acre


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