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domingo, 5 de julho de 2026
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Com suspeita de paralisia cerebral, bebê aguarda ressonância magnética há quase dois anos

Luan Cesar

Com suspeita de paralisia cerebral, já que recebeu um pré-diagnóstico de alguns médicos, o pequeno João Pedro Wider Frutuoso aguarda uma ressonância magnética há quase dois anos no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). O exame é necessário para confirmar ou descartar a suspeita inicial para que, em caso de confirmação da doença, a criança seja encaminhada para especialistas para iniciar um tratamento para trabalhar as necessidades existentes.

Segundo o pai da criança, Célio Souza Frutuoso, o procedimento foi solicitado logo após o bebê deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, no final de 2017. Por ter nascido prematuro, o pequeno teve complicações respiratórias causadas por uma infecção nos pulmões. Antes disso, ele já tinha passado pela UTI da Maternidade Bárbara Heliodora e para conseguir uma vaga na unidade do Hospital da Criança, em Rio Branco, aguardou mais de 10 dias.

“É essa ressonância que diagnosticará a suspeita de paralisia cerebral, esse exame é necessário para a gente conseguir o encaminhamento para os especialistas. Será com o tratamento que a gente vai tentar recuperar os movimentos, a fala, o desenvolvimento intelectual e várias outras coisas nele. Mas devido a essa falta da ressonância, o tratamento, que era para ter iniciado anos atrás, está atrasado e cada vez mais meu filho fica comprometido devido a doença”, reclama Frutuoso.

Ele afirma que constantemente liga para o Into, atualiza o cadastro e faz cobranças. Porém, a solicitação ainda está na fila de agendamento. A reportagem entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), que solicitou os dados do Sistema Único de Saúde (SUS) da criança para verificar a situação. Mesmo com o fornecimento das informações, o órgão não se posicionou sobre o assunto e não deu retorno até o fechamento desta edição.

“Com dois anos o João Pedro não senta, não anda, não fala e não se alimenta como deveria por não conseguir mastigar direito. Toda a alimentação dele tem que ser em forma líquida. A situação está cada vez mais complicada e, infelizmente, a gente não consegue obter retorno para fazer isso”, lamenta o pai. Ele conta ainda que outros exames como ecocardiograma e mapeamento de retina, este último não é ofertado na Rede Pública de Saúde do Estado e do Município de Rio Branco. “Iniciamos até uma vaquinha entre a família para conseguir fazer em clínica particular”.

Entre os três exames e o aparato necessário para a ressonância, que precisa ser feita em ambiente cirúrgico e com uma equipe de profissionais especializados, por envolver sedação, Frutuoso estima um gasto inicial de R$ 3 mil. “Estendemos essa vaquinha para a internet e agora ela é virtual. Mas não é fácil porque as pessoas desconfiam e como o caso do João não é conhecido publicamente fica mais difícil. Mas estamos tentando de tudo e correndo atrás desses exames”.

João Pedro Frutuoso nasceu prematuro, aos seis meses de gestação, na cidade de Acrelândia, interior do Acre. Devido a isso, a família teve que sair do município para Rio Branco e o pequeno passou cerca de 90 dias na UTI da Maternidade Bárbara Heliodora. Após ganhar peso e estabilizar a saúde, ele foi encaminhado ao Hospital da Criança para a cirurgia, em 2017. Depois, veio a solicitação dos procedimentos. A situação obrigou os pais do bebê a se mudarem para Rio Branco. Segundo Frutuoso, ele já perdeu outros dois filhos. Na primeira gravidez da esposa, o bebê nasceu morto. Já na segunda, a criança também nasceu prematura, mas não sobreviveu por complicações.