Dados do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC) apontam que de 1º de janeiro até o dia 16 deste mês 1.908 focos de calor, registros feitos por satélites de grandes incêndios em extensas áreas de vegetação, foram registrados no Acre. O número indica que as queimadas feitas no estado podem ultrapassar ao total registrado no ano de 2005, quando 3 mil focos tinham sido registrados pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) no mesmo período na época.
Quando os números são recortados para incêndios ambientais urbanos, os dados do CBMAC revelam que do início deste ano até a última quarta-feira, 21, o Acre registrou mais de cinco mil casos nos 22 municípios. Ainda não há um número exato de ocorrências porque os dados estão em processamento pelo órgão, que tem recebido chamadas que se intensificaram desde o início deste mês. Rio Branco lidera o ranking de incêndios urbanos com 1.918 casos até o dia 18 deste mês.
No mesmo período do ano passado, de 1º de janeiro a 18 de agosto, a capital contabilizou 307 registros. Isso significa dizer que os casos tiveram um aumento de 524,8% em 2019. Sena Madureira ocupa a segunda colocação na quantidade de incêndios urbanos este ano e já possui 600 ocorrências em média. Logo em seguida vem a segunda maior cidade do estado, Cruzeiro do Sul, que até o dia 18 deste mês teve uma média de 500 incêndios registrados no perímetro urbano.
Major do Corpo de Bombeiros, Cláudio Falcão explica que os focos de calor são comportamentos de queimadas registrados pelos satélites do CPTEC e repassados ao órgão, dados prévios que se confirmam ou não em um relatório final no mês de dezembro. Já os incêndios urbanos são ocorrências solicitadas e atendidas pelo CBMAC nos nove batalhões distribuídos por todo estado. Ele reforça que os números de focos de calor e incêndios urbanos podem ultrapassar os de 2005.
“Comparado ao ano passado, registramos baixa no número de incêndios urbanos nos meses de junho e julho deste ano. Mas esse cenário mudou a partir deste mês e houve uma disparada. Esse aumento foi causado pelo tempo muito seco, altas temperaturas [com manhãs muito frias e ao longo do dia a temperatura subir 19°C], mais de 26 dias sem chuva em Rio Branco, as fortes ventanias atípicas que colaboram para espalhar o fogo e, principalmente, a ação humana”, diz Falcão.
O militar lembra que mesmo que os diversos fatores do período de estiagem colaborem para haver incêndios, se não houvesse ação humana não haveriam diversos registros de incêndios e focos de calor no estado. Se não colocar fogo, não há queimadas. O Corpo de Bombeiros sempre trabalhou muito com campanhas educativas e preventivas, um dos fatores de a situação não ser ainda pior. “Mas mesmo assim o número de incêndios urbanos registrados estão muito elevados e podem piorar”.
De acordo com o major, o Acre atualmente está com “altíssimo risco de incêndio” em todas as regiões e cidades. “Os números nos mostram que 2019 só está perdendo para 2005 na quantidade de focos de calor e incêndios urbanos, já ultrapassou os demais anos. Qualquer fagulha e fonte de calor pode gerar incêndios de grandes proporções. Mas é importante lembrar que em 2005 tínhamos menos batalhões do que atualmente, o que colabora para os números serem maiores”.
Decreto alerta ambiental
Com mais de mil focos de calor registrados entre 1º de janeiro e 7 deste mês, além da alta incidência de queimadas nos 22 municípios, o estado decretou no último dia 16 estado de alerta ambiental no Acre. O Decreto Nº 3.776 foi publicado pelo governador Gladson Cameli na edição do Diário Oficial do Estado (DOE) do dia 16. Com isso, a Defesa Civil Estadual pode solicitar apoio técnico e logístico de toda estrutura administrativa direta e indireta estadual nas suas ações.
O apoio pode ser dado em atividades de prevenção, combate e controle de incêndios, queimadas e focos de calor em todo estado. O decreto determina que sejam adotadas ações práticas para minimizar a quantidade de queimadas e as consequências dos incêndios no verão amazônico, período de poucas chuvas, tempo seco e altas temperaturas que inicia no fim de junho e segue até o início de outubro. Nessa época, os riscos de queimadas aumentam com a baixa umidade e calor.
“Existe a necessidade de se adotar medidas de prevenção e preparação para hipótese de ocorrência de desastres na modalidade de incêndios e estiagem severas. Numa situação de alerta ambiental, o que podemos pedir a população é que evite realizar qualquer tipo de queima”, destacou o secretário de Meio Ambiente (Sema), Israel Milani. Ele lembrou que os meses mais críticos do verão amazônico são julho, agosto e setembro, sendo o último deles o mais crítico nesse período.
O decreto também estabelece a Sala de Situação de Alerta Ambiental, que deve ser comandada pela Defesa Civil Estadual com apoio da Sema, coordenação operacional do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC) e demais órgãos do estado. A Sala de Situação ficará responsável pelo monitoramento da situação das queimadas, elaboração de boletins de focos de calor e estabelecimento do cruzamento com risco de fogo e focos de calor em todos os municípios acreanos.
A partir do levantamento, cruzamento e finalização dos dados feitos pela Sala de Situação, todos os órgãos ambientais, Batalhão Ambiental da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e demais órgãos envolvidos devem atuar de forma preventiva e repressiva nas áreas mais críticas. Cláudio Falcão destaca ainda que o CBMAC tem o Plano de Contingência para as queimadas em perímetros urbanos e rurais elaborado desde o início deste ano, o documento prevê ações conjuntas.





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