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domingo, 5 de julho de 2026
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Com diagnóstico de criança em Cruzeiro do Sul, Acre registra oito casos de meningite

Uma criança de apenas um ano de idade foi diagnosticada com meningite bacteriana na última segunda-feira, 24. A confirmação da doença veio após o bebê dar entrada no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, no último domingo, 23, e passar por exames que confirmaram as suspeitas dos médicos. Com isso, o Acre já tem registrados oito casos da doença em todo estado somente no primeiro semestre deste ano. Entretanto, a Secretaria de Saúde (Sesacre) nega surto.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul, o quadro de saúde da criança é estável e o menino está sedado recebendo medicação.“Os médicos estão acompanhando. Ele está estável, mas está sob efeito de sedativos”, disse o coordenador de Vigilância Epidemiológica de Cruzeiro do Sul, Nicolau Abdalah, em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Acre. De acordo com ele, cinco casos suspeitos de meningite já foram investigados este ano no município.

Abdalah afirma que desse total, três suspeitas foram confirmadas e duas apresentaram resultados negativos. Dos casos confirmados, dois foram de pacientes que foram da cidade Tarauacá para tratamento no Hospital Regional do Juruá e morreram devido as consequências da doença. O outro diagnóstico positivo é da criança internada que está em tratamento, ela veio da cidade de Ipixuna, interior do Amazonas. A Sesacre questiona o número de mortes na cidade pela doença.

A pasta estadual afirma que apenas uma morte por meningite ocorreu em Cruzeiro do Sul. A secretaria alega que o óbito de outro paciente foi ocasionado por outro motivo, mas não especificou qual a causa. “Cruzeiro do Sul, em 2019, não tem nenhum caso positivo para meningite. A única situação é que essa é uma doença endêmica na nossa região e sempre vamos ter pacientes sendo atendidos no hospital da cidade que serve para municípios do Acre e alguns do Amazonas. O que estamos é em vigilância constante para agir com a maior rapidez possível”.

Os casos de meningite no Acre veem apresentando alta desde a semana passada. O índice começou a subir após a confirmação de um caso de meningite bacteriana em Rio Branco na sexta-feira, 21, a Secretaria de Saúde do Acre iniciou o tratamento de um homem de 58 anos diagnosticado com a doença. Ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgência e Emergência (Huerb). Além disso, a pasta já iniciou os procedimentos para evitar que novos casos surjam, principalmente em quem manteve contato recente com o paciente.

Doença

A meningite meningogócica é uma doença transmitida por um grupo de bactérias chamadas meningococos. Ela provoca inflamação na meninge, membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal do ser humano. Segundo o Ministério da Saúde, há 12 tipos de meningococos e no Brasil, o mais comum é o tipo C (que corresponde a 80% dos casos) seguido do tipo B. Os tipos A, W e Y são menos frequentes no país. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta imunização contra os tipos comuns.

A enfermidade pode ser transmitida pelas vias respiratórias, gotículas e secreções do paciente infectado. Contato íntimo, residentes da mesma casa e pessoas que compartilham o mesmo dormitório ou alojamento são outras formas de contágio da doença. Ambientes fechados e sem ventilação facilitam ainda mais a propagação. Entre os sintomas da meningite meningogócica estão fraqueza, febre, dor de cabeça, vômitos e rigidez na nuca. A procura de tratamento precisa ser rápida.

De acordo com o MS, a enfermidade pode levar à morte entre 24 e 48 horas a partir do aparecimento dos primeiros sintomas. O risco de morte é de 10% a 20%, e em caso de sobrevivência, a doença pode deixar sequelas graves como surdez e debilidade motora. O órgão federal de Saúde salienta que a meningite pode ser causada por fungos, vírus e outras bactérias que não meningococos. Apesar do diagnóstico no estado, não há indícios de um surto da doença.