Ônibus fretado pela Minerva Foods levou dezenas de moradores rumo a Chupinguaia (RO), enquanto desemprego dispara e comércio local amarga forte queda no faturamento.
Na manhã deste sábado (31), uma cena em Boca do Acre chamou a atenção: dezenas de jovens embarcaram em um ônibus alugado pela empresa Minerva Foods com destino à cidade de Chupinguaia, em Rondônia, em busca de oportunidades de trabalho no frigorífico da companhia.
A movimentação foi registrada por moradores, evidenciando o impacto direto do desemprego crescente no município. Embora não existam dados oficiais atualizados, a realidade percebida nas ruas aponta para índices alarmantes de pessoas sem ocupação desde o início de 2025 — cenário agravado pelas demissões em massa promovidas pela Prefeitura de Boca do Acre.
A gestão do prefeito Frank Barros, que entrou em seu segundo ano de mandato, vem anunciando medidas de maior arrocho nos gastos com pessoal, o que tem gerado insegurança entre servidores e reflexos imediatos na economia local.
Comércio em queda livre
Comerciantes ouvidos pelo Jornal Opinião relatam que o movimento despencou drasticamente nos últimos meses.
Segundo eles, a perda de faturamento já chega a cerca de 50%, resultado direto da redução da renda circulando na cidade.
“As pessoas perderam o emprego, deixaram de comprar. O comércio está sobrevivendo com muita dificuldade”, relatou um empresário do setor alimentício, que disse que nunca precisou fazer promoção para vender, e agora as promoções viraram rotina para que os produtos não vençam nas prateleiras.
Êxodo em busca de emprego
O banner divulgado pela Minerva Foods, que circulou amplamente em Boca do Acre, oferecia vagas como auxiliar de produção (sem necessidade de experiência), desossador, magarefe, operador de empilhadeira, mecânico industrial e eletricista, com benefícios como salário compatível, prêmio de produtividade, vale-alimentação, alojamento, alimentação e passagens para Rondônia.
Os principais requisitos incluíam disponibilidade para mudança de cidade, turnos diurnos e noturnos e idade mínima de 18 anos.
A promessa de emprego formal, somada aos benefícios, acabou se tornando uma das poucas alternativas para muitos jovens e trabalhadores desempregados do município.
Reflexo de uma crise maior
O embarque deste sábado não representa apenas uma viagem rumo a outro estado — simboliza o reflexo de uma crise social e econômica que se aprofunda em Boca do Acre. A falta de oportunidades locais está forçando moradores, especialmente os mais jovens, a deixarem suas famílias em busca de sustento em outros centros produtivos.


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