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Com 21 casos em 2018, Saúde alerta para risco de leptospirose durante cheia em cidade no AC

Com 21 casos em 2018, Saúde alerta para risco de leptospirose durante cheia em cidade no AC

Entre 2017 e 2018, o número dos casos de doença caíram 78%. Doença é mais comum em épocas de inundações

A cheia do rio Juruá tem preocupado a Secretaria Municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul. Isso porque o período é mais propício para casos de leptospirose – transmitida pela urina do rato. Os registros da doença caíram, entre 2017 e 2018, 78% – saindo de 96 para 21 casos.

O Setor de Epidemiologia Municipal alerta que no período de cheia é preciso adotar as medidas de prevenção para evitar contrair a doença. O contato com a urina do rato e de outros animais infectados é a principal forma de transmissão da leptospirose que teve um maior número de casos registrados no ano de 2018, no período de novembro a dezembro. Nesse período foi confirmada uma morte por leptospirose, o último óbito tinha sido confirmado em 2014.

Nesses meses, o rio Juruá aumentou seu volume de água invadindo vários bairros da cidade, onde a doença esteve mais presente, como na Lagoa, Várzea e Miritizal.

“O cidadão precisa cuidar do lixo na sua casa, porque é no lixo que o roedor fica lá e serve de alimentação. Não pode jogar o lixo em qualquer canto. Muitas vezes, a pessoa faz uma construção e deixa os entulhos em seu quintal, aí o ratinho vai fazer sua urina lá e quando a água passa, essa urina se espalha e contamina as pessoas”, alerta o coordenador da Vigilância Epidemiológica, Nicolau Abdalah.

Em 2019, apenas dois casos da doença estão sendo investigados e o diagnóstico só será divulgado em fevereiro. Mesmo assim, a gestão garante que vai desenvolver ações preventivas para evitar novos casos de leptospirose.

“Nossa preocupação é poque esse é o período sazonal com enchente, muita chuva e se sabe o que contamina é a urina do roedor que ele faz num local pequeno e a água espalha para um local maior. Então, alertamos a população que se tiver os sintomas não fique em casa, procure uma unidade de saúde. Estamos agora visitando essas áreas fazendo esse trabalho de orientação que é o melhor caminho”, garante Abdalah.Como se pega a leptospirose?

Em situações de enchentes e inundações, a urina dos ratos, presente em esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama das enchentes. Qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama contaminadas poderá se infectar. A Leptospira penetra no corpo pela pele, principalmente se houver algum ferimento ou arranhão.

Quais os sintomas?

Os sintomas mais freqüentes são parecidos com os de outras doenças, como a gripe. Os principais são: febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, principalmente nas panturrilhas (batata-da-perna), podendo também ocorrer icterícia (coloração amarelada da pele e das mucosas).

Quanto tempo demora para a doença aparecer?

Os primeiros sintomas podem aparecer de um a 30 dias depois do contato com a enchente. Na maior parte dos casos, aparece 7 a 14 dias após o contato.

Como é feito o tratamento da leptospirose?O tratamento é baseado no uso de antibióticos, hidratação e suporte clínico, orientado sempre por um médico, de acordo com os sintomas apresentados. Os casos leves podem ser tratados em ambulatório, mas os casos graves precisam ser internados.

Como evitar a doença?

Evite o contato com água ou lama de enchentes e impeça que crianças nadem ou brinquem em ambientes que possam estar contaminados pela urina dos ratos. Pessoas que trabalham na limpeza de lamas, entulhos e desentupimento de esgoto devem usar botas e luvas de borracha (se isto for possível, usar sacos plásticos duplos amarrados nas mãos e nos pés).