Dados da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (Semsa) apontam que 2.629 casos suspeitos de dengue foram registrados entre 1° de janeiro e 16 de março deste ano. O número representa um acréscimo de 221% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 819 pessoas com suspeita da doença procuraram as unidades de saúde na capital administradas tanto pelo Estado quanto pelo Município relatando os sintomas da doença causada pelo Aedes aegypti.
Segundo o boletim epidemiológico da Semsa, produzido semanalmente pela pasta, também foi registrado um aumento no número de notificações de 1° a 10 de março, a décima semana do ano, em relação ao período de 10 a 16 do mesmo mês, 11ª semana do ano. Na 10ª semana epidemiológica, 153 notificações foram contabilizadas. Já na 11ª o número cresceu para 163 relatos contabilizados pelo poder público, um acréscimo de quase 7% no período de seis dias.
Os números mostram ainda que na semana de 10 a 16 de março 70 bairros de Rio Branco tiveram registros de casos suspeitos de dengue. Belo Jardim, Vitória, Bahia Nova, Vila Acre, Habitar Brasil, Rui Lino, Santa Helena, Santa Inês, Santa Maria, Abraão Alab, Cadeia Velha, Cidade do Povo, Tancredo Neves, Calafate, Esperança, Recanto dos Buritis, São Francisco e Nova Esperança são algumas localidades que tiveram moradores afetados pelos sintomas da doença.
Segundo o secretário Municipal de Saúde, Oteniel Almeida, a pasta desenvolve constantemente ações de prevenção, fiscalização e conscientização sobre a proliferação do Aedes aegypti nas residências dos bairros da capital. As visitas domiciliares são realizadas com agentes de endemias do Município e homens do Exército. Outra ação, que é desenvolvida pela Secretaria de Zeladoria, é a limpeza das vias públicas e coleta de entulhos. Além disso, também é feita a educação em saúde.
“Apesar dessa alta e de uma leve subida de uma semana para outra, nas última três semanas registramos uma queda tímida nas notificações de casos suspeitos. Mesmo assim, desde o início deste ano a cidade está com epidemia de dengue e ainda continuamos nesta situação. A Semsa continuará desenvolvendo as ações intensas de combate, fiscalização e prevenção em todos os bairros de Rio Branco no sentido de reverter esse quadro o mais rápido possível”, diz Almeida.
Para aumentar a eficiência no combate ao Aedes aegypti, penalidades a residências/prédios abandonados e a moradores que se recusarem a receberem os agentes de endemias e saúde serão aplicadas a partir da próxima semana. As multas serão embutidas nos impostos municipais e o valor será de acordo com cada tipo de infração registrada pelas equipes de rua. A medida será adotada para que a população se conscientize da importância do trabalho da pasta.
Questionado se alguma morte foi ocasionada devido a dengue neste ano, o secretário Municipal de Saúde afirma que um caso suspeito está sob investigação no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). A previsão é de que a confirmação, ou não, da morte pela doença seja dada nesta quarta-feira, 3, pelo Lacen. Ele lembra ainda que o primeiro dos quatro ciclos de visitas dos agentes aos bairros, que precisam ser feitos até o fim deste ano, foi concluído no primeiro trimestre.
“O combate ao Aedes precisa ter o envolvimento de toda a sociedade. Estamos nos esforçando nessa ação e estamos dentro da meta estipulada, já que o segundo ciclo foi iniciado. Em outros anos foi recorrente voltarmos e novas visitas e constatar reincidência de larvas do mosquito nas residências ou recipientes que acumulam água. Pedimos que todas as pessoas ajudem nesse combate com medidas que todos já conhecem. Nenhuma das três doenças causadas pelo mosquito da dengue escolhe raça, cor ou classe social. Todos podem ser afetados”, finaliza Almeida.
Situação de Emergência
Em janeiro deste ano, quando mais de mil casos suspeitos de dengue foram notificados entre os dias 1º e 26, a Prefeitura de Rio Branco decretou Situação de Emergência por um período de 180 dias. O documento foi publicado na edição do dia 20 de janeiro no Diário Oficial do Estado (DOE) e deve valer até julho deste ano. De acordo com o decreto, que determinou a execução de atividades preventivas contra o vetor da dengue, chikungunya e zika vírus, 90% dos focos do mosquito são encontrados dentro das residências e em terrenos baldios de Rio Branco.
Além disso, o documento autorizou que o Executivo Municipal a fazer contratação temporária de pessoal sem realização de processo seletivo ou concurso público para agentes de endemias ou outras áreas em que surgirem demandas urgentes. O documento também autoriza o Poder Público a requisitar tanto pessoal, como equipamentos de outros órgãos da administração para desenvolver as ações de eliminação dos focos de proliferação do mosquito Aedes aegypti nos bairros da cidade.
Outra determinação especificada no Decreto de Situação de Emergência é a autorização para que as equipes de agentes de controle de endemias e agentes comunitários de saúde intensifiquem as medidas de prevenção e controle do mosquito junto à população. As equipes ficam autorizadas a entrar em lotes vazios e residências fechadas para monitoramento e eliminação dos possíveis focos do vetor da dengue, chikungunya e zika vírus. As medidas valem durante o período de 180 dias.








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