MARCELA JANSEN
“O Peru não permite o ingresso de estrangeiros, mas permite a saída, então temos que abrigar”. A frase é do prefeito de Assis Brasil, Jerry Correia ao confirmar que um grupo de mais 50 venezuelanos chegaram na cidade na manhã de quinta-feira, 18.
O gestor ressalta que a presença dos novos imigrantes agrava ainda mais a situação no município. “Mesmo com as fronteiras fechadas, o Peru ainda autoriza a saída dos imigrantes para o lado brasileiro. Não permitem a entrada no país, mas permitem a saída. A situação imigratória se agrava com a chegada de venezuelanos”, disse o prefeito ao destacara ainda que os imigrantes serão acomodados nos abrigos. “Esses venezuelanos devem ir para abrigos também”.
A chegada dos imigrantes coincidiu com a autorização do governo federal para o uso das Forças Armadas na cidade. “Precisamos das Forças Armadas para atender essas pessoas, precisamos montar um acampamento, tendas, a exemplo do que aconteceu em Roraima, porque a prefeitura não tem capacidade de atender tanta gente”, disse.
O prefeito destacou preocupação também com o possível agravamento nos casos da Covid-19 em Assis Brasil. De acordo com o boletim da Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre), o município possui a maior taxa de contaminação pela doença no Acre. Em todo a cidade há 1.037 casos confirmados e doze mortos.
É um caos social. Nós estamos com metade da equipe da assistência social de quarentena, são pelo menos cinco pessoas afastadas. O governo vai ajudar na testagem desses imigrantes, mas o problema não é a quantidade de testes, mas sim a logística. Estamos com dois abrigos, não temos mais espaço físico e precisamos ter um plano de testagem, precisamos pensar em uma nova estrutura para ser montada e levar esses imigrantes positivados para lá”, relatou Jerry.
E acrescentou: “O governo federal deve montar uma estrutura grande aqui, uma estrutura suficiente para atender essas pessoas dentro do contexto da pandemia. Não é só questão de receber os imigrantes, mas temos uma população que está apreensiva e com medo de ter uma tragédia no que diz respeito a saúde pública e só o governo federal tem como montar um verdadeiro campo de refugiados. É impossível, impensável, a prefeitura fazer isso.”


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