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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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Caso PM Gisele: perícia revela sequência do crime e desmonta versão de suicídio

O caso da policial militar Gisele Alves Santana ganhou novos desdobramentos após a divulgação do laudo da Polícia Científica de São Paulo. O documento detalha a dinâmica do crime e aponta inconsistências na versão apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que segue preso e é réu por feminicídio e fraude processual.

Segundo a perícia, há evidências claras de luta corporal, o que descarta a hipótese inicial de suicídio e reforça a tese de homicídio dentro da residência do casal.

Dinâmica do crime em quatro etapas

De acordo com os peritos, o feminicídio ocorreu em uma sequência de ações:

  • Abordagem por trás, pegando a vítima de surpresa;
  • Imobilização física, impedindo reação imediata;
  • Luta corporal, com sinais de resistência da vítima;
  • Disparo fatal na cabeça.
  • O laudo identificou marcas de pressão no rosto e pescoço, além de arranhões, compatíveis com tentativa de defesa. Os indícios sugerem que a vítima pode ter sido submetida a um golpe de imobilização antes do tiro.

    Altura da vítima desmonta versão de suicídio

    Um dos pontos mais relevantes da investigação foi a análise do local onde a arma estava guardada. Segundo os peritos, Gisele, que media 1,65 metro de altura, não teria condições de alcançar o armário onde a arma se encontrava, a cerca de dois metros de altura.

    A simulação técnica indicou que seria necessário o uso de um objeto de apoio, como uma cadeira, o que não foi encontrado no local. Para os investigadores, isso reforça a hipótese de que a arma foi colocada na mão da vítima após o disparo.

    Indícios de alteração da cena do crime

    Outro fator que chamou atenção foi o comportamento do suspeito após o ocorrido. De acordo com depoimentos e imagens analisadas:

  • O oficial tomou banho e trocou de roupa logo após o crime;
  • Não houve preservação do local;
  • A arma estava posicionada de forma incomum na mão da vítima.
  • Um bombeiro que atendeu a ocorrência relatou que o armamento estava “bem encaixado”, com o dedo fora do gatilho e sem sinais de rigidez, o que facilitou sua retirada — algo considerado atípico em casos de suicídio.

    Testemunhas também afirmaram que o suspeito não demonstrava desespero e que, horas depois, houve limpeza no apartamento por outros policiais militares.

    Investigação e andamento do caso

    Diante dos elementos reunidos, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo. O tenente-coronel segue preso preventivamente, acusado de feminicídio e tentativa de ocultação de provas.

    O caso segue em investigação, com base nos laudos periciais e depoimentos que apontam para violência física, manipulação da cena e tentativa de simular suicídio.