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Câmara rejeita cassação e mantém mandato de Carla Zambelli

A Câmara dos Deputados decidiu, na noite desta quarta-feira (10), manter o mandato de Carla Zambelli (PL-SP). Mesmo condenada pelo STF a mais de 15 anos de prisão e presa na Itália durante processo de extradição, a parlamentar escapou da cassação por 30 votos.

Foram 227 votos favoráveis à perda do mandato, 170 contrários e dez abstenções. Para efetivar a cassação, eram necessários 257 votos — maioria absoluta dos 513 deputados.

Votação dividida e apelos emocionados

Horas antes, a CCJ havia recomendado a cassação por 32 votos a 27. A deputada participou da reunião por videoconferência e se emocionou ao mencionar o filho, João Zambelli, de 17 anos. Ela voltou a negar todas as acusações e afirmou ser alvo de uma “ditadura do Judiciário”.

Zambelli está presa na Itália desde 29 de julho e aguarda decisão sobre a extradição. Imagens da sessão desta quarta-feira mostraram parlamentares divididos sobre o caso, que se tornou um dos julgamentos políticos mais acompanhados do ano.

Suspensão de Glauber Braga também foi analisada

No mesmo dia, o plenário aprovou a suspensão por seis meses do mandato de Glauber Braga (PSOL-RJ). Ele era alvo de processo que pedia cassação após acusação de agressão a um integrante do MBL em 2024. A suspensão evitou a perda definitiva do mandato.

Zambelli ainda corre risco de perder o mandato por faltas

Mesmo com a derrota da cassação em plenário, Carla Zambelli pode perder o mandato por motivos administrativos. Após o fim da licença de 127 dias, em outubro, ela deixou de comparecer às sessões e acumula 25 faltas não justificadas.

A legislação prevê perda de mandato quando um deputado falta a mais de um terço das sessões sem justificativa. Como está detida no exterior, Zambelli não consegue registrar presença.

Condenações no STF

A parlamentar foi condenada em dois processos no Supremo. Em junho, recebeu pena de dez anos por falsidade ideológica e invasão de dispositivo informático no ataque ao sistema do CNJ, atribuído ao hacker Walter Delgatti.

Em agosto, o STF a sentenciou a cinco anos e três meses pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com arma de fogo — episódio em que ela perseguiu um eleitor do presidente Lula às vésperas do segundo turno de 2022.