Brigadistas voluntários passam por capacitação para combater incêndios florestais no Acre

Dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que, em 2021, Acre registrou 8,8 mil focos de queimadas.

Brigadistas voluntários participaram de capacitação no Lago do Amapá e Igarapé São Francisco — Foto: Arquivo

Brigadistas voluntários participaram de capacitação no Lago do Amapá e Igarapé São Francisco — Foto: Arquivo

Um grupo de mais de 20 brigadistas voluntários passou por uma capacitação e reciclagem de combate a incêndios florestais em areas de proteção ambiental (APA) entre os dias 16 e 19 deste mês. Fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Rio Branco (Semeia) instruíram os voluntários sobre a legislação ambiental, cuidados e procedimentos de resgate de fauna queimada, entre outras atividades.

A capacitação foi feita também pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas do Acre (Semapi), em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre e a Organização Não Governamental (ONG) SOS Amazônia.

Os voluntários foram levados para o Lago do Amapá e Igarapé São Francisco, na capital acreana, para os treinamentos.

Em 2021, dados do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostraram que o Acre registrou mais de 8,8 mil focos de queimadas. O total, no entanto, reduziu em comparação ao número confirmado em 2020, quando foram registrados 9.193 focos de queimadas. A redução foi de 3,9% entre os períodos avaliados.

Em 2020, inclusive, foi registrado o maior número de focos de queimadas em dez anos no estado acreano. Em 23 anos, de 1998 a 2021, o maior número contabilizado no estado foi em 2005 – 15.993 focos de queimadas.

A situação também afetou as áreas de proteção ambiental. Segundo os dados, no acumulado do ano, entre janeiro e setembro foram registrados 1.456 focos de queimadas nessas regiões. Somente nos 27 dias de setembro foram 937 focos.

A Reserva Extrativista Chico Mendes liderou essas queimadas, com 863 focos no ano, sendo que desses, 675 foram somente no mês de setembro.

Dados do Inpe mostram que registros de focos de queimadas no Acre desde 1998 até 2021 — Foto: Reprodução

Dados do Inpe mostram que registros de focos de queimadas no Acre desde 1998 até 2021 — Foto: Reprodução

Capacitação

Em 2021 uma turma de voluntários já tinha passado por uma capacitação de brigadistas para atuar nas queimadas esse ano. O segundo módulo, que será realizado com equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vai ocorre em junho desse ano.

Órgão ambientais enfraquecidos

Em agosto do ano passado, o g1 conversou com especialistas e também com os órgãos governamentais para tentar entender o que tem tornado propício o crescente aumento não só de queimadas, mas também do desmatamento no Acre.

Na época, o estado acreano já contabilizava 2.140 focos de incêndio. O número era maior do que todo o acumulado de 2020 no mesmo período, que fechou com 1.641 ocorrências – um aumento de 30% nos meses avaliados. Os números de 202 só ficaram atrás de 2019, quando foram 2.240 registros durante o período. O ápice desse período foi em 2005 com 5.405 focos de incêndio.