Boca do Acre foi o município do Amazonas com o maior número de conflitos no campo registrados em 2025, segundo dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). O levantamento foi apresentado durante o lançamento do Caderno de Conflitos no Campo Brasil 2025 e aponta que a cidade contabilizou 38 ocorrências ao longo do período analisado.
O número coloca o município na liderança estadual e evidencia a concentração de disputas agrárias na região Sul do Amazonas, considerada uma das áreas mais sensíveis da Amazônia em relação aos conflitos por terra e recursos naturais.
Lábrea aparece em segundo lugar
Na sequência do ranking estadual está o município de Lábrea, com 10 ocorrências registradas. Juntos, Boca do Acre e Lábrea concentram parcela significativa dos conflitos agrários contabilizados em todo o estado.
Ao todo, o Amazonas registrou 98 ocorrências relacionadas a disputas por terras, recursos naturais e territórios rurais durante o período analisado pela CPT.
Expansão agropecuária influencia aumento das disputas
De acordo com o relatório, a concentração dos casos no Sul do Amazonas está diretamente associada ao avanço da fronteira agropecuária e à influência da região conhecida como Amacro, área que integra municípios do Amazonas, Acre e Rondônia.
A expansão das atividades econômicas ligadas ao campo tem intensificado a pressão sobre áreas rurais, provocando disputas envolvendo posse, uso e ocupação de terras.
Grilagem e desmatamento estão entre os fatores apontados
A Comissão Pastoral da Terra destaca que fatores como grilagem de terras, desmatamento, avanço do agronegócio, exploração ilegal de recursos naturais e fragilidade na fiscalização contribuem para o aumento das tensões na região.
Segundo a entidade, esses elementos ajudam a transformar o Sul do Amazonas em um dos principais focos de conflitos agrários da Amazônia Legal.
Número de conflitos cresce apesar da redução de assassinatos
O levantamento mostra que, embora tenha sido registrada uma redução no número de assassinatos relacionados a disputas rurais em comparação ao ano anterior, a quantidade de conflitos aumentou em 2025.
A CPT ressalta ainda que os dados podem não refletir toda a realidade da região, já que muitas áreas possuem difícil acesso e apresentam limitações para monitoramento e registro das ocorrências.
Relatório aponta necessidade de ações estruturantes
O estudo reforça a importância de políticas voltadas à regularização fundiária, à proteção de comunidades tradicionais e ao fortalecimento da presença do Estado em regiões historicamente marcadas por disputas territoriais.
Segundo a CPT, medidas de fiscalização, mediação de conflitos e garantia de direitos territoriais são consideradas fundamentais para reduzir a violência e promover maior segurança jurídica no campo.
Com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT).


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