Com informações da Agência Brasil
Dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) na sexta-feira (5/12) revelam que Boca do Acre ocupa o primeiro lugar no ranking da exploração irregular de madeira no Amazonas. Lábrea aparece logo em seguida, e juntos os dois municípios concentram 75% de toda a atividade ilegal detectada no estado.
De acordo com o levantamento, Boca do Acre registrou 20,5 mil hectares de extração sem permissão, enquanto Lábrea contabilizou 10,9 mil hectares. Ambas as cidades fazem parte da região conhecida como Amacro — fronteira entre Amazonas, Acre e Rondônia — área marcada pelo avanço da agropecuária. Na prática, esse desmatamento fica só na conta de Boca do Acre, pois a entrada para o crime ambiental acontece pelo território bocacrense, que tem uma divisa muito própria e acessível com Lábrea, com isso, o município vizinho leva a culpa, sem o labrense verdadeiramente desmatar.
A pesquisadora do Imazon, Camila Damasceno, alerta que a retirada de madeira nesses municípios costuma ser o primeiro passo para a abertura de áreas destinadas a grilagem, plantação de grãos ou criação de gado. “Essa dinâmica reforça a urgência de ampliar a fiscalização e impedir que produtos ilegais cheguem ao mercado”, afirmou.
Avanço da exploração ilegal
No total, foram identificados 68 mil hectares com exploração florestal no Amazonas. Desses, 42 mil não possuíam qualquer tipo de autorização ambiental — o equivalente a 62% de toda a área explorada. Os dados são resultado de um mapeamento anual realizado pela Rede Simex (ICV, Imaflora e Imazon), que combina imagens de satélite com informações oficiais sobre autorizações concedidas entre agosto de 2023 e julho de 2024.
A exploração legal também cresceu: passou de 11,3 mil hectares (2022–2023) para 26,1 mil hectares (2023–2024), um aumento de 131%.
Áreas protegidas sob pressão
A extração clandestina invadiu inclusive áreas de proteção, como terras indígenas e unidades de conservação. O estudo indica que 13% da madeira retirada de forma irregular — cerca de 5,6 mil hectares — está dentro dessas áreas. Do total, 9% ocorreu em terras indígenas (3,9 mil hectares) e 4% em unidades de conservação (1,6 mil hectares).
Embora tenha havido uma pequena redução em relação ao levantamento anterior, ainda se trata de uma área equivalente a mais de 5 mil campos de futebol.
Segundo Damasceno, a entrada de invasores coloca em risco comunidades tradicionais que dependem diretamente da floresta. Além de impactos ambientais como emissão de carbono e perda de biodiversidade, a atividade gera conflitos sociais nesses territórios.
Imóveis rurais lideram irregularidades
O estudo também mostra que a maior parte da exploração ilegal está dentro de propriedades rurais registradas em bases públicas como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o Sigef e o Terra Legal. Essas áreas somam 32,5 mil hectares — 77% de toda a extração não autorizada.
Para o Imazon, isso demonstra que os órgãos fiscalizadores já dispõem de informações suficientes para combater e punir responsáveis por atividades ilegais.
Florestas públicas não destinadas
Outro ponto de atenção são as chamadas florestas públicas não destinadas (FPNDs), que representam 8% da área ilegal — cerca de 3,3 mil hectares. Essas terras pertencem ao poder público, mas ainda não tiveram uso oficial definido, seja como área de conservação ou território indígena.
O instituto destaca que destinar essas áreas é uma medida urgente para proteger o patrimônio ambiental e público, além de garantir segurança às comunidades tradicionais.

