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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Boca do Acre à beira do transbordamento: rio marca 18,70 metros e preocupa moradores

Nível atual está a apenas 10 centímetros da cota de inundação e sobe muito mais cedo do que em anos anteriores

Boca do Acre amanheceu nesta terça-feira em estado de alerta. A régua linimétrica instalada próxima à foz do rio Acre, na confluência com o rio Purus, marcou 18,70 metros na manhã desta quarta-feira (28), ficando a apenas 10 centímetros da cota de transbordamento, limite a partir do qual começam as inundações em áreas urbanas.

O que chama ainda mais atenção é a rapidez com que o nível subiu neste início de ano. Em 2025, a cota de transbordamento só foi atingida no dia 16 de março. No dia 28 de janeiro do ano passado, o rio estava com pouco mais de 10 metros, um volume considerado baixo para o período.

A marca atual, de quase 19 metros, só havia sido registrada naquele ano em 12 de fevereiro, o que mostra que, em 2026, a cheia chegou de forma muito mais antecipada.

De acordo com o tenente do Corpo de Bombeiros do Estado do Acre, Carlos Queiroz, responsável pelo monitoramento da regional do Purus, o grande volume de água que agora pressiona Boca do Acre não tem origem principal nos rios da própria região.

Segundo ele, o aumento expressivo é consequência direta do rio Acre, que apresentou uma grande elevação em Santa Rosa, no alto Purus, ainda no final de dezembro do ano passado. Esse volume acabou descendo e se acumulando na confluência dos rios, elevando rapidamente o nível em Boca do Acre.

O tenente informou ainda que a situação é bem diferente em outros pontos do Purus. Em Sena Madureira, o nível do rio permanece baixo e dentro da normalidade, cenário que se repete em Manuel Urbano, indicando que a cheia atual é um reflexo localizado da influência do rio Acre.

Outro dado que reforça esse contraste é que, em toda a trajetória do rio Acre, desde Assis Brasil até Rio Branco, o nível permanece abaixo da cota de alerta, sem registros de situação crítica ao longo do percurso principal.

Apesar da proximidade com a cota de transbordamento em Boca do Acre, nenhuma família precisou ser removida até o momento. No entanto, a água já começou a invadir algumas ruas da cidade, sinalizando que a situação pode se agravar rapidamente caso o nível do rio continue subindo.