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sábado, 4 de julho de 2026
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Belém recebe navio movido a hidrogênio verde na COP30

Um navio experimental movido a hidrogênio verde, desenvolvido pelo grupo Náutica, está ancorado em Belém durante a COP30 e atraiu atenção por demonstrar a viabilidade de sistemas de propulsão menos poluentes para a navegação.

Embarcação e tecnologia

O protótipo, identificado como JAQ H1, é equipado com reservatórios específicos para armazenamento de hidrogênio e um motor dual capaz de operar tanto com hidrogênio quanto com diesel. A embarcação alcança até 25 nós e, em operação com hidrogênio, tem emissão zero — o único resíduo gerado é água.

Próxima etapa: a segunda fase do projeto prevê a instalação da propulsão movida a hidrogênio em Fortaleza, permitindo que o sistema opere com cerca de 20% de hidrogênio em combinação com diesel e alcance redução de até 80% nas emissões de carbono.

Oportunidades e desafios no Brasil

Segundo Ernani Paciornik, CEO do grupo Náutica, o projeto foi custeado com recursos privados e pretende demonstrar a aplicabilidade da tecnologia no país. Para ele, portos como Açu, Suape, Pecém e Santos já discutem infraestrutura para abastecimento com hidrogênio, enquanto o custo de equipamentos — como eletrolisadores — tem caído significativamente nos últimos anos.

Especialistas presentes na COP30 apontam que o hidrogênio verde representa uma alternativa promissora para descarbonizar a navegação, mas listam entraves: alto custo de produção, consumo energético, necessidades de segurança e a ausência de uma cadeia logística consolidada que inclua estações de abastecimento e produção em escala.

Riscos e debate sobre “falsas soluções”

Ambientalistas alertam para o risco de o hidrogênio produzido a partir de fontes fósseis (conhecido como hidrogênio azul, cinza ou marrom) ser apresentado como solução limpa. No caso do JAQ H1, o grupo afirma que toda a cadeia energética adotada é baseada em hidrogênio verde, produzido por fontes renováveis.

Relatórios internacionais apontam crescimento de investimentos em projetos de hidrogênio de baixa emissão desde 2021, mas também destacam que a expansão ainda é desigual e depende de políticas públicas e marcos regulatórios claros.

Visão de mercado

Para Davi Lopes, head da GWM Hydrogen, o país já tem condições naturais e industriais para avançar, mas precisa acelerar a formação de um mercado interno: “A tecnologia já está no presente; o desafio é ganhar escala para reduzir custos — desde células de combustível até eletrolisadores e pontos de abastecimento.”