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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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Aula prática leva estudantes a conhecer a Cooperar, referência na produção agroextrativista no Purus

Professores de Química mostram processos físico-químicos em visita à cooperativa que há mais de 23 anos exporta produtos da sociobiodiversidade amazônica

Os estudantes do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual de Tempo Integral Antonio José Bernardo Vasconcelos tiveram uma aula diferente de Química na manhã desta terça-feira (2). Sob a orientação dos professores Damião Alves e Leonel Pessoa, ambos mestrandos em Química pela Universidade Federal do Acre, a turma visitou a Cooperar, cooperativa agroextrativista que atua em Boca do Acre há 24 anos e tem como carro-chefe a extração, beneficiamento e exportação do cacau in natura. A atividade faz parte das dissertações de mestrado dos docentes e teve como foco a aplicação prática de conceitos físico-químicos, como a separação de substâncias.

A força da sociobiodiversidade no Purus

Durante a visita, os alunos acompanharam de perto os processos de produção da cooperativa, que também trabalha com copaíba, gergelim, castanha, tucumã e banana, transformados em óleos, farinhas, massas e até na farinha de banana verde, produto nutritivo indicado para praticantes de atividades físicas. O diretor-presidente, José Camilo, destacou que aprendeu tudo na prática, sem formação acadêmica, e que a cooperativa nasceu da necessidade. Hoje, ela reúne cooperados distribuídos ao longo de mil quilômetros nas margens do rio Purus, envolvendo os municípios de Pauini, Lábrea e Boca do Acre.

Camilo lembrou que já foi garoto-propaganda de uma marca alemã de chocolate feita com cacau da região e ressaltou a expansão internacional da produção: “Nossos produtos já foram vendidos para países como Japão e Austrália. Agora queremos que a própria Boca do Acre reconheça o valor dessa biodiversidade e plante essa semente”.

A diretora comercial, Maria Carolina Farias, afirmou que, recentemente, o consumo interno começou a crescer, com a comunidade local reconhecendo a qualidade dos produtos. Ela destacou que nada é desperdiçado: até a casca da castanha é reaproveitada como adubo. Carolina também lembrou que o chocolate com amêndoas produzido pela Cooperar conquistou um prêmio em Londres, concedido pela Academy of Chocolate.

Sustentabilidade e novos desafios*l

O diretor de operações industriais, Francisco de Assis, explicou aos alunos detalhes dos processos químicos e da testagem de qualidade, que recebem o aval final de uma engenheira de alimentos. Ele e Camilo apresentaram cada etapa, desde a lavagem até a separação, extração de polpa e óleos, ressaltando a preocupação com a higiene — tanto que os visitantes usaram máscaras e toucas durante o percurso.

Assis frisou a importância de o município valorizar a cadeia produtiva da sociobiodiversidade, capaz de gerar emprego, renda e sustentabilidade. Já Camilo alertou para a ameaça ambiental: “Os castanhais estão sumindo por conta da devastação no entorno do Purus. Em vez de deixar bananas se perderem nas reservas, deveríamos valorizar essa produção, transformando-a, por exemplo, em merenda escolar de qualidade”.

Os representantes da Cooperar também enfatizaram que nenhum aditivo químico é utilizado nos produtos e revelaram que já existe um projeto para a instalação de uma fábrica de chocolate em Boca do Acre, o que deve ampliar ainda mais o impacto positivo da cooperativa na economia local e regional.