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terça-feira, 30 de junho de 2026
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Atriz Mônica Martelli convida ativista acreana para falar sobre antirracismo em seu Instagram

Raquel Lima

O homicídio de George Floyd, homem negro, 46 anos, em Minnesota – Estados Unidos, fez com que eclodisse uma onda de mobilizações e protestos contra o racismo e a violência policial em todo o mundo. 

“Eu não consigo respirar”, era o que repetia Floyd enquanto o policial branco, Derek Chauvin, usava seu joelho para asfixiá-lo. Os médicos legistas concluíram que “a causa da morte foi uma parada cardiopulmonar causada por compressão do pescoço”.

Pessoas de diversas áreas, em solidariedade, somaram-se ao movimento ‘Black Lives Matter e se posicionaram em favor da luta antirracista.

Racismo e violência policial fazem parte do histórico brasileiro. O caso de Floyd ocorreu menos de duas semanas depois da morte de João Pedro, vítima de um tiro em uma ação conjunta das polícias Civil e Federal, no complexo do Salgueiro, Rio de Janeiro.

Considerando a luta antirracista no Brasil, a importância de visibilizar e ouvir pessoas negras que debatem a promoção da igualdade racial, o ator Paulo Gustavo cedeu, durante um mês, sua conta do Instagram para a filósofa e escritora, Djamila Ribeiro. O espaço será utilizado para fomentar discussões sobre relações raciais no Brasil.

Gustavo ainda convidou suas/seus colegas de profissão para fazerem o mesmo: “convide uma ativista, uma amiga, uma pessoa comprometida com a causa racial para ocupar seu Instagram! Tem muitas vozes incríveis que precisam ser amplificadas!”, escreveu o ator em seu feed no Instagram.

Foi assim que a atriz, dramaturga, cronista e apresentadora brasileira, Mônica Martelli chegou até a acreana Jaycelene Brasil. Mônica atende o chamado do amigo, valoriza a importância de debater o racismo no Brasil, dialoga com Djamila Ribeiro acerca de referências negras no país, e convida Jayce para ocupar sua rede, com a pauta antirracista do lado Norte do país.

Jaycelene Brasil é acreana, feminista negra interseccional, socióloga pela Universidade Federal do Acre, licenciada pela Faculdade do Noroeste de Minas Gerais (FINON) e especialista em Gestão Estratégica de Políticas Públicas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Militante de Direitos Humanos há 20 anos, formada pelo Centro de Defesa de Direitos Humanos e Educação Popular do Acre (CDDHEP).

Desde 2015, Jaycelene vem acumulando experiências como professora de Sociologia no ensino médio em escolas públicas, bem como em cursos de Pós-graduação. Educadora popular, paulofreiriana. Atualmente se dedica à pesquisas voltadas para as questões de raça, gênero e classe.

A socióloga integrou a equipe que institucionalizou a Política de Promoção da Igualdade Racial no Município de Rio Branco, na primeira gestão de Marcus Alexandre 2013-2017 (PT).  Dentre suas ações estratégicas no enfrentamento ao racismo, foi coordenadora da campanha ‘Rio Branco sem Racismo’, alcançando em torno de dez mil pessoas, incluindo escolas públicas urbana e rurais, instituições públicas e privadas, apenas entre os anos de 2013 e 2014. 

Jayce fala da importância política desse momento: “a luta antirracista não é uma pauta apenas dos negros. Precisa-se entender o que é o lugar de fala. Todos temos lugar de fala, porque somos socialmente constituídos a partir desse lugar. O racismo não é um problema dos negros. Foi engendrado por brancos. Brancos podem ser antirracistas a partir do seu lugar de fala, que é o da branquitude, assumindo suas responsabilidades na estrutura de privilégios construída para homens, heteronormativos, brancos e ricos. Assumindo a necessidade de mobilidade da pirâmide social, tendo sua base constituída por mulheres negras. O lugar de fala não tem a ver com silenciamento. Pelo contrário, fomenta o debate honesto dos mais diversos grupos sociais. Não se trata de “experiências individuais”, e sim coletivas.  Que é a grande confusão que alguns fazem, na minha opinião, justamente pela falta de entendimento acerca do conceito. Mônica compreendeu a nossa pauta e seu público terá oportunidade de conhecer diversas vozes negras, potentes do nosso país”.