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quinta-feira, 2 de julho de 2026
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Associação repudia agressão a profissional e diz que governo está cego, surdo e mudo às reivindicações da categoria

A Associação Médica do Acre emitiu nota repudiando a agressão sofrida por uma médica, na última terça-feira, 3, dentro do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb).

A entidade também repudia o que classifica de trabalho ineficaz dos gestores do estado, “que demonstram estar cegos, surdos e mudos quanto às reivindicações da classe enquanto os colegas sofrem as consequências do trabalho na linha de frente de uma saúde pública desmantelada”.

Segundo a nota, os médicos enfrentam dias sombrios no exercício da medicina em todo Brasil, particularmente no Acre.

“Dia após dia, vários médicos que atuam na assistência no âmbito da Saúde Pública no estado sofrem com a falta de segurança dentro das unidades hospitalares – isso é uma consequência direta da falta de condições de trabalho e de recursos humanos em saúde”.

Em tom duro, o texto afirma que a voz da classe médica não se faz ouvida em seu clamor pela pasta gestora responsável pela saúde.

“Escala de plantões são feitas pro forma, somente para cumprir burocracia administrativa, mas cheias de ‘buracos’ com uma falsa resolução da gestão que encontra na redução do número de médicos por plantão a forma de cumprir com suas obrigações administrativas”, denuncia.

Aos médicos, diz a nota, recai a responsabilidade de fazer vários plantões extras (mesmo contra sua vontade), para suprir o número mínimo de profissionais necessários, a fim de oferecer uma saúde considerada digna e de qualidade aos usuários do SUS.

“Outro agravante a essa situação é a constante de se submeterem aos desmandos de chefes imediatos para não serem penalizados administrativa e eticamente”.

Entenda o caso 

A senhora Elsa Ferreira Lopes, de 90 anos, deu entrada na unidade há três semanas, com uma forte gripe. O quadro evoluiu para uma pneumonia. A família mora no km 5 da estrada de Porto Acre, no Ramal José Rui Lino.

O agricultor e filho da idosa, Feliciano Silva de Freitas, negou que o sobrinho, jovem de 17 anos tenha agredido os servidores. Segundo ele, o parente entrou em surto quando viu a avó e mãe de criação morta no hospital.

“Quando chegamos no domingo não tinha um médico, enfermeiro e ninguém pra fazer o atendimento. Colocaram ela na emergência. No outro dia, fui visitar ela e falou que estava com sede, pedi ao doutor para dar água para ela. Ele falou: “ ‘você tá doido, vai fazer ela se engasgar’. Falei pra molhar a boca dela com o algodão com água”, alegou.

Para Freitas, a mãe morreu por negligência médica. Ele revelou também que não foi liberado nenhum parente para ficar com a idosa enquanto estava internada.

“Morreu de sede, falta de água. Ela falou pra mim duas vezes que queria água. Não sabe a causa da morte. O corpo dela está amarrado, com escoriações pelo corpo, foi maltratada lá. Não deixaram ficar com acompanhante. Foi negligência médica, ela pediu água e não davam”, lamentou.

O adolescente acabou apreendido após a morte da avó e mãe de criação. A idosa morreu no Pronto-Socorro de Rio Branco, nesta na última terça-feira, 3, o menor se descontrolou e teria agredido uma médica da unidade de saúde.

O caso foi registrado na Delegacia de Proteção à Mulher (Deam), em Rio Branco. O diretor-geral da unidade, Areski Peniche, explicou que o adolescente ficou descontrolado e ameaçou agredir os servidores, entre eles a médica.

“Foi contido, a segurança estava aqui, a polícia. Ele fez ameaças contra a médica que estava atendendo a familiar dele. Era uma paciente muito grave, estava há dias no hospital. Foi uma confusão por conta das fortes emoções e se descontrolaram”, confirmou.

A direção da unidade contou que a paciente estava em estado grave. Um procedimento administrativo foi aberto para investigar o caso. (Com informações do G1 Acre)