Em alusão ao Dia Nacional da Equoterapia a Associação dos Simpatizantes e Praticantes de Equoterapia do Estado do Acre (ASPEAC) realiza um arraial, hoje (9) a partir das 16 horas, no Rancho Porta do Céu, localizado na estrada AC -40 km 16, logo após o TOP 15.
O objetivo é fazer a interação dos pacientes, pais e da equipe que desenvolve o trabalho. “Atendemos 12 pessoas por dia, três vezes na semana. A interação com os cavalos é fantástica pelos cuidados que eles têm o com as crianças”, explica a psicopedagoga, coordenadora do espaço e presidente da ASPEAC, Shirlei Lessa.
De acordo com Lessa para alguns pacientes, com casos mais graves, contam com a ajuda da prefeitura de Rio Branco, que disponibiliza um carro para pegá-los em casa, e o apoio do Governo do Estado. Além disso, a ação não aconteceria se não fosse pela proprietária Maria Tereza, que concedeu o local para a realização das aulas.
Shirlei conta que o trabalho com equoterapia já é realizado há oito anos, iniciou com outro grupo, mas a equipe de agora, atendendo 30 pacientes, atua desde dezembro de 2014.
“A equoterapia é um tratamento terapêutico e educacional. Utilizamos o cavalo para desenvolver e alcançar os objetivos necessários a cada um que chega aqui”, explica a psicopedagoga salientando que todos portador de qualquer deficiência, seja física, metal, inclusive, quem tenha depressão, pode ser tratado com equoterapia.
Para ser atendido pelos profissionais no rancho é necessário um encaminhamento médico. Os animais utilizados são de provas de tambores, mas na hora de atender um paciente são calmos e dóceis.
“Todas as vezes que vamos montar em um cavalo, conversamos com ele para ele saber quem vai ser atendido. A maior superação vem deles [cavalos], que fazem com que a pessoa tratada tenha mais de 800 estímulos, tanto corporal como mental”, disse Lessa.
História de superação
Entre as histórias de superação com o tratamento está a do Jeanderson Craveiro, de 27 anos, portador de autismo e distúrbio mental. Shirlei conta que recebeu uma ligação informando que havia uma família muito angustiada, pois não sabiam mais como fazer para lidar com o jovem.
“Fui visitá-los, chegando lá percebi que mãe se encontrava muito aflita e comecei a trabalhar nela primeiro. Antes ele não saia de casa, não socializava, hoje, já pega ônibus para realizar pequenos trajetos, faz natação, vai à igreja, consegue ouvir o som e continuar na igreja”, relatou.
Para a mãe de Jeanderson, Maria Aparecida Craveiro, 53, a equoterapia veio para melhorar a qualidade de vida da família.
“Depois de três anos de vida do nosso caçula foi que descobrimos o que ele tinha. Começamos a desconfiar, pois ele era uma criança repetitiva, um pouco agressiva, nunca gostou de brincar nem com os dois irmãos, brinquedos ele quebrava tudo. Daí levamos para fazer todo o tratamento, infelizmente o diagnóstico dele foi dado em Brasília, porque aqui no Acre os médicos só passavam remédios que dopavam ele”, relembrou a mãe.
Antes de conhecer o tratamento terapêutico Jeanderson estava sem comer, se batendo e piorando a cada dia. Segundo dona Aparecida ela chegou a se isolar junto com ele.
Os pais destacam que toda a equipe formada por Shirlei Lessa, o fisioterapeuta Deyvid Antonny e a psicóloga Sarah Darub foi fundamental para o processo de melhora do filho.
“Todo processo foi importante para meu filho, nem tenho como agradecer a qualidade de vida que temos. Hoje, ele está alfabetizado, tem outro relacionamento com os familiares. Não o tratamos com diferença por ser autista, mas temos cuidado, pois é um mundo que ninguém conhece. O Jeanderson tem habilidades que não é pra qualquer um, ele faz desenhos nas frutas, antes de comê-las, trabalho que requer agilidade”, finaliza o pai Sebastião Craveiro.


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