OPINIÃO traz um balanço das ações da secretaria de Saúde no enfrentamento da pandemia desde os primeiros meses de 2020
Quando se trata de administração pública, poucos são os que têm habilidade de se destacar em pastas tão antagônicas em um governo. E essa característica, para cumprir missões adversas, como uma espécie de ‘coringa’ no jogo de baralho da gestão governamental, é o que possui Alysson Bestene Lins, secretário de Estado de Saúde do Acre (Sesacre). Um dos nomes da gestão para cargos estratégicos no governo Gladson Cameli, o odontólogo de 45 anos vem comandando com sucesso a pasta, desde que deixou a cadeira da Secretaria de Articulação Política, vinculada à Casa Civil, ainda em 2019.
Com a Sesacre ao seu comando, ações enérgicas e bem-planejadas foram fundamentais para que o Acre enfrentasse a pandemia do novo coronavírus com ações totalmente transparentes, eficazes e sem estrangulamento do sistema público de Saúde, como vem acontecendo em outros estados, inclusive o Amazonas.

Recentemente, Gladson Cameli frisou que a boa experiência e boa gestão de Alysson Bestene são um dos grandes trunfos do seu governo. “O Alysson vem fazendo um bom trabalho na saúde, e com esse ano de pandemia ele conseguiu se superar em competência e comprometimento com as pessoas, diante das dificuldades”, declarou.
Nesta segunda-feira, 18, passados quase dez meses dos primeiros três casos de contaminação de covid-19, em março, e dia em que chega a primeira aeronave trazendo o primeiro lote da vacina Coronavac, contra o vírus, OPINIÃO traz um balanço do que foi realizado pela gestão de Bestene à frente da Saúde do estado, para minimizar o sofrimento dos acreanos e salvar vidas. Leia os principais pontos:
Cirurgias eletivas antes da pandemia
“Começamos janeiro com as cirurgias eletivas na região de Senador Guiomard, iniciamos os primeiros no dia 8 de janeiro, uma quarta-feira, em Senador Guiomard e outras quatro localidades no entorno. A ideia era beneficiar os pacientes que estavam na fila de espera dos procedimentos eletivos – aqueles em que o paciente realiza diversos exames antes do procedimento e apresenta condições físicas seguras para ser cirurgiado”.
“O objetivo era desafogar a fila das cirurgias médicas da Fundação Hospitalar do Estado do Acre (Fundhacre) e do Novo Pronto-Socorro de Rio Branco. Começamos com dez cirurgias em média, por dia, no Ary Rodrigues, atendendo estrategicamente pacientes de ao menos cinco localidades da região: Capixaba, Plácido de Castro, Acrelândia e Vila Campinas e a própria cidade de Senador Guiomard. Mas infelizmente, veio a pandemia e tivemos que adiar mais uma vez”.
Programa Saúde Itinerante
“Outro grande programa que tivemos de parar por causa da pandemia foi o Saúde Itinerante. No dia 9 de fevereiro iniciamos o primeiro deles, na Via do V, em Porto Acre, para 2.040 pessoas. Os moradores da Vila do V e de toda a região de Porto Acre participaram”.
“Uma superestrutura foi montada pelo Governo do Estado do Acre para receber as pessoas com pelo menos 15 serviços em saúde subdivididos dentro da clínica geral, da pediatria, da saúde mental, ginecologia, da ortopedia e da odontologia. Exames preventivos de câncer de colo de útero e exames de sangue, incluindo HIV e hepatites, além de ultrassonografias e tipagem sanguínea também estavam disponíveis”.
“Depois foi a vez de Plácido de Castro e em Capixaba. Neste último município foram mais 3 mil pessoas beneficiadas. Já em Plácido de Castro, nós fizemos o agendamento até dos exames complexos de ortopedia. Mas recebemos o duro golpe da pandemia e tivemos que parar”.
Transparência nas compras de insumos
Em ano atípico por conta da pandemia, o governador Gladson pediu total transparência aos gestores. E na pasta da Saúde, a transparência de gastos sempre foi uma prioridade.
Em reunião no dia 11 de dezembro, com o procurador da República no Acre, Humberto Aguiar Júnior, e membros de sua equipe de governo, Gladson Cameli ressaltou que o Ministério Público Federal é imprescindível na fiscalização e no combate aos ilícitos que venham a ser praticados na estrutura governamental.
No encontro, o chefe do Poder Executivo lembrou ser este um ano atípico e que a sua gestão tem priorizado a transparência de suas ações na compra de insumos e nos investimentos de um modo geral na Saúde, em tempo marcado pela pandemia.
“Com honestidade e seriedade, o Acre figura entre os estados brasileiros que não registraram casos de corrupção na aplicação dos recursos específicos destinados ao combate à Covid-19”, lembrou Alysson Bestene, na ocasião.
Amor e proteção à vida
Logo após os primeiros três casos confirmados de Covid-19 no Acre, em março, a equipe da Sesacre cuidou de preparar as unidades hospitalares e as compras dos primeiros insumos para o combate à pandemia. No dia 23 de abril, o Estado já recebia 23 galões de álcool em gel – o equivalente a 87 litros – e 53,8 mil máscaras cirúrgicas, além de 62,2 mil pares de luvas, 1,8 mil máscaras N95 para uso cirúrgico e mais de 40 mil aventais e 720 óculos de proteção.
Nos primeiros dias de abril e início de maio, mais de 130 mil equipamentos de proteção individual para os trabalhadores da Sesacre foram adquiridos pelo governo. Somente em abril, por exemplo, foram 84.521 equipamentos de proteção individual, os EPIs, entre eles a demanda principal: luvas e máscaras, inclusive as do tipo N95. Compuseram o pacote completo, aventais, óculos de proteção, toucas, sapatilhas e álcool em gel.

Dedicação total à batalha contra o coronavírus
Na sala principal do gabinete do governador, a palavra de ordem era mobilização em favor das vítimas da pandemia. Desde o princípio, Gladson Cameli não media esforços para oferecer as melhores soluções possíveis para as famílias acreanas à medida que se perdiam pessoas para a doença.
No dia 3 de maio, um domingo, o Acre recebia via aérea 1,5 toneladas de material para as unidades de terapia intensiva do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia no Acre, o Into-AC, e também do Pronto-Socorro de Rio Branco. Macacões, escudos faciais, máscaras, seringas e remédios fizeram parte dessa nova remessa procedente de Goiânia. Era o terceiro carregamento de insumos em cinco dias, com aeronaves custeadas pelo governo Gladson Cameli.
Na manhã seguinte, no dia 4 de maio, a empresa Mediall assumiria o Into-AC, a princípio, em caráter emergencial, contratada pelo governo do estado.
O objetivo principal da contratação era o de ampliar o corpo de médicos, enfermeiros e técnicos, com a chegada a Rio Branco de uma equipe multiprofissional para auxiliar no tratamento de pacientes com Covid-19.
Já no dia 30 do mesmo mês, mais 400 mil máscaras para profissionais de Saúde chegavam a Rio Branco. O lote foi desembarcado numa tarde de sexta-feira, num investimento na segurança dos trabalhadores. Havia duas semanas que cem mil máscaras tinham chegado vindas de Manaus. Ambas as remessas saíram a um custo de R$ 1,3 milhão aos cofres públicos.
No dia 31 de outubro, em mais uma grande demonstração de respeito e reconhecimento aos profissionais que atuam na linha de frente no enfrentamento à pandemia, Gladson Cameli anunciava a prorrogação do adicional de insalubridade para quase 3 mil servidores da Saúde.

O primeiro hospital de campanha
“Cuidar das pessoas é o que mais importa. Elas são o que temos de mais valioso”, disse o governador, ao inaugurar o hospital de campanha de Rio Branco para pacientes com Covid-19, ao lado das instalações do Into-AC, no dia 15 de junho, uma segunda-feira. Pouco tempo depois foi construído o de Cruzeiro do Sul.
Em Rio Branco, a unidade com capacidade para cem leitos semi-intensivos foi inaugurada no dia em que o Acre celebrou 58 anos de emancipação, e seria ocupado, na sua maioria, por pacientes que já estavam internados nos leitos semi-intensivos do próprio Into-AC. Isso garantiu que o Instituto ampliasse as suas unidades de terapia intensiva com mais dez vagas. Participaram da solenidade o então ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, que depois veio a ser titular da pasta.
Construído em 45 dias
Erguido em tempo recorde – com pouco mais de 30 dias do alicerce à instalação de macas e equipamentos –, o Hospital de Campanha de Rio Branco foi concebido com capacidade para cem leitos de enfermaria e custou R$ 2.975.248,12, em verbas emergenciais do Ministério da Saúde para o combate à pandemia, gerando 49 empregos diretos.
A área total é de mil metros quadrados e conta com um posto de enfermagem, farmácia, rouparia, depósito para material de limpeza, copa, duas salas de descanso, duas salas para uso a ser definido pela direção, banheiro de uso coletivo e sala de expurgo.

Pronto-Socorro como referência
Hoje, o Pronto-Socorro de Rio Branco, que não poderia deixar de ser mencionado, continua sendo referência para os atendimentos de urgência, de emergência e de alta complexidade, sendo que suas UTIs Covid – já desativadas – foram fundamentais para o socorro dos acreanos, do início dos primeiros casos até quando o governo transferiu, a outras unidades, todo o tratamento para a Covid-19.


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