AGOSTINHO ALVES
A notícia do pedido do prefeito Zeca Cruz, e do reconhecimento por parte da Assembleia Legislativa do estado de calamidade pública em Boca do Acre por conta do Coronavírus, pegou de surpresa até os próprios bocacrenses, que estão até agora sem entender o que levou o prefeito a ter essa atitude, se não tem estatística para justificar.
Ou o prefeito tem dons de prevê o futuro e anteviu que Boca do Acre irá mergulhar em uma situação que mereça ser chamada de calamidade, ou está muito mal assessorado, ou está muito mal intencionado, vendo oportunidade de gastar quanto e como quiser, sem ter que dar satisfação para os órgãos de controle financeiro.
Comparação
Para se ter uma ideia da desproporcionalidade do decreto do prefeito de Boca do Acre, em Manacapuru, o decreto só foi usado pela administração municipal quando o boletim epidemiológico apontava 28 casos confirmados e 03 óbitos. No último dia 6 de abril, o prefeito do município que faz parte da região metropolitana de Manaus, Beto Dângelo, prorrogou o Estado de Calamidade por mais trinta dias, ao contrário de Zeca Cruz, que já pediu o reconhecimento do decreto até o último dia do ano de 2020.
Outros municípios não decretaram
Em Itacoatiara, são 11 casos confirmados, mesmo assim o prefeito do município não decretou calamidade pública. O mesmo acontece em Iranduba, com 09 casos, 07 em Santo Antônio do Içá, 06 em Parintins, com dois óbitos, 03casos nos municípios de São Paulo de Olivença e Tonantins, 02 casos em Careiro da Várzea e Presidente Figueiredo e 01 caso registrado nos municípios de Anori, Boca do Acre, Manicoré, Tabatinga e Novo Airão. Neste último também há um óbito
O cenário não é de calamidade
O cenário de Boca do Acre, até a última atualização do boletim epidemiológico, era de apenas 01 casos confirmado, mas já curado, 12 casos descartados, fila zerada nos casos suspeitos e apenas 01 em isolamento
2015
A última vez que Boca do Acre decretou Estado de Calamidade, foi no ano de 2015. Nesta época, o motivo é era bastante plausível, uma vez que o município estava sendo atingido por mais uma grande cheia, que afetava mais de 25 mil pessoas, desabrigava 63 famílias e forçava o fechamento de escolas, postos de saúde, supermercados, mercados, falta de água potável e parte da população tinha necessidade de cesta básica e produtos de higiene.
O que é o Estado de Calamidade?
Estado de Calamidade Pública é quando os serviços essenciais começam a ser interrompidos e há danos humanos, materiais ou ambientais para a localidade, além de prejuízos econômicos. Fica mais do que evidenciado que Boca do Acre não se enquadra nos critérios que ensejam o decreto.


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