A distância entre Rio Branco, no Acre, e Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, ultrapassa os 3.600 quilômetros. Para Maria Lucia Cortez de Moura, de 61 anos, essa jornada não foi apenas uma viagem geográfica, mas uma corrida contra o tempo para evitar a amputação de parte do pé e dos dedos.
Diagnosticada com estenose da artéria ilíaca externa direita, a paciente convivia com o comprometimento do fluxo sanguíneo, que causava dores intensas e um risco iminente de necrose.
Busca por tratamento especializado
Maria Lucia relata que o problema vascular começou ainda em 2010, mas se agravou significativamente nos últimos anos. “Em 2023, eu tive um problema grave, quase corri o risco de amputar meus dedos”, relembra.
Sem acesso a recursos especializados em sua cidade natal, a alternativa veio por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A vaga foi viabilizada através de convênio com o Hospital Regional São Paulo (HRSP), em Xanxerê, referência nacional em procedimentos vasculares.
Para a paciente, a oportunidade teve um significado especial. “Conseguiram essa vaga e foi coisa de Deus, porque não tem outra explicação”, afirmou.
Atendimento humanizado e sucesso cirúrgico
Além da estrutura e tecnologia, Maria Lucia destacou o acolhimento recebido pela equipe hospitalar. Segundo ela, o atendimento fez diferença desde a chegada até o pós-operatório.
“Desde o princípio, lá na recepção, as enfermeiras, as técnicas, o pessoal da limpeza; tudo limpinho, tudo organizadinho. Eu me senti bem, me senti à vontade”, relatou.
Após a realização da cirurgia vascular, os resultados foram imediatos. “Os médicos fizeram o procedimento e deu tudo certo. O médico viu que o pulso está normal no pé e na perna”, comemorou.
Ansiedade e medo de amputação
Muito além da recuperação física, o tratamento trouxe alívio emocional. Maria Lucia descreveu o impacto psicológico de viver sob a ameaça constante da perda de um membro.
“Só eu sei o quanto isso me causava ansiedade. Eu ficava correndo o risco de perder meu pé e dava aquele desespero, aquele pavor quando vinham as crises. Mas agora não”, disse.
Gratidão e novos planos
Maria Lucia, que nunca havia visitado o Sul do Brasil, afirmou ter ficado encantada com a cidade. Ela agora retorna ao Acre com sentimento de alívio e gratidão.
“Vou levar essa gratidão para o Acre, no meu coração, para todos vocês. Vou voltar para minha terra agradecida a Deus e a Santa Catarina que nos recebeu”, declarou.
Ao se despedir, a paciente deixou um desejo à instituição: “Que continuem acolhendo e socorrendo essas pessoas que estão precisando de tratamento que não existe onde moram”.
Agora, a recomendação médica é de repouso e recuperação total. A expectativa é que, em breve, ela possa retomar a rotina e até voltar a Santa Catarina, desta vez como turista, para revisitar o local que marcou sua história de superação.


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